Flávio Bolsonaro comemora rebaixamento de escola que homenageou Lula no carnaval do Rio: 'Próximo será do PT'

 

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A Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente Lula em seu enredo, ficou em último lugar na apuração do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro de 2026. Com isso, foi rebaixada e volta a disputar a Série Ouro no próximo ano. O rebaixamento da escola foi comemorado pelo senador Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro.

A agremiação, fundada em 2018, subiu para série principal em 2025 e escolheu levar o polêmico enredo em homenagem ao presidente Lula para Sapucaí neste ano. "Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil" levou a disputas judiciais, inclusive no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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Em publicação no Instagram, Flávio escreveu:

"DOS PROJETOS DE DEUS NÃO SE ZOMBA! Lula é sempre uma ideia ruim, seja para governar o País, seja para um samba enredo. Nunca nos esqueçamos: família é algo sagrado. Depois dessa escola, o próximo rebaixamento vai ser do Lula e do PT."

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Com enredo que homenageou presidente Lula, Acadêmicos de Niterói é rebaixada

O desfile da Acadêmicos de Niterói percorreu a trajetória do político, da infância no Nordeste à chegada ao Palácio do Planalto. O enredo passou pela migração da família para São Paulo, o período como torneiro mecânico, a atuação no movimento sindical e a eleição à Presidência da República.

Na comissão de frente, a escola reproduziu a rampa do Palácio do Planalto, em alusão à última posse de Lula, acompanhado por representantes da sociedade civil. A encenação também incluiu personagens que remetiam ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, e aos ex-presidentes Dilma Rousseff, Michel Temer e Jair Bolsonaro.

O carro abre-alas retratou o agreste pernambucano, região onde Lula nasceu, combinando elementos de fartura e adversidade. Em outro momento do desfile, a escola apresentou críticas às políticas sociais do governo Bolsonaro e à condução da pandemia. Na parte final, houve ainda referência ao período em que Lula esteve preso.

Desfile da Acadêmicos de Niterói, no Carnaval 2026

Eduardo Hollanda/Rio Carnaval

Desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula

Marcelo Cortes/Fotoarena/Agência O Globo

Dira Paes participa de desfile da Acadêmicos de Niterói, no Carnaval do Rio 2026

Eduardo Hollanda/Rio Carnaval

Enredo polêmico

O enredo da Acadêmicos de Niterói motivou ao menos dez ações judiciais e representações no Ministério Público e no Tribunal de Contas da União (TCU). As iniciativas buscavam impedir o desfile ou suspender e reverter repasses de recursos públicos à escola.

Os autores das ações sustentavam que trechos do samba e da apresentação poderiam caracterizar propaganda eleitoral antecipada do presidente Lula, já que a legislação permite campanha apenas a partir de 16 de agosto. Também houve pedidos para barrar a presença do presidente na Marquês de Sapucaí e para limitar manifestações consideradas ataques a adversários.

O caso foi analisado pelo plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que, por unanimidade, negou liminar para proibir o desfile, sob o entendimento de que a medida poderia configurar censura prévia. Os ministros ressaltaram, porém, que eventuais condutas na Avenida poderiam ser avaliadas posteriormente e, se necessário, punidas.

Após a decisão, o PT orientou seus integrantes a evitar manifestações que pudessem ser interpretadas como propaganda antecipada. O governo federal negou irregularidades, afirmou que não interferiu na escolha do enredo e defendeu que o apoio financeiro às escolas de samba é prática recorrente.

Concluído o desfile, Lula elogiou a apresentação nas redes sociais. A oposição reagiu com críticas e anunciou novas medidas judiciais, reiterando acusações de promoção eleitoral antecipada e uso indevido de recursos públicos.