Flávio avança para além das fronteiras do bolsonarismo e Lula tem desafio de contornar rejeição, diz cientista político

 

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A pesquisa Genial/Quaest divulgada, nessa quarta-feira (11), mostra que o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) empatariam num segundo turno. Cada um registra 41% das intenções de voto. A pesquisa também mede a opinião pública em relação a temas como Banco Master, STF e isenção de Imposto de Renda.

O cientista político da Universidade de Brasília, Murilo Medeiro, em entrevista ao Jornal da CBN, destaca que a queda na avaliação do governo Lula, assim como nas intenções de voto do presidente, foi embasada em temas que a pesquisa revelou, como, por exemplo, a percepção maior do brasileiro em relação à corrupção. Segundo o especialista, o voto pró-mudança pode ser aflorado junto ao eleitor:

“Esse é um tema que é um "Calcanhar de Aquiles" para a campanha governista porque toda essa crise envolvendo o Banco Master e o escândalo do INSS pode favorecer junto ao eleitor um sentimento de anti-establishment , de confronto em relação ao sistema. Então o voto pró-mudança pode ser aflorado junto ao eleitor, especialmente ao eleitor independente, ao eleitor mais moderado. E é curioso isso porque Flávio Bolsonaro cresce justamente nessa parcela do eleitor que não tem preferência ideológica clara”.

Murilo Medeiro destaca que, certamente, a agenda da moralidade deve ter pesado na percepção do eleitor e junto a isso também a questão econômica:

"De janeiro pra cá a percepção negativa em relação à economia subiu 10 pontos também. (...) A sensação do custo de vida ainda muito elevado tem estabilizado muito essa taxa de avaliação do governo e Flávio Bolsonaro conseguiu avançar especialmente entre o eleitor moderado e independente".

Sobre uma possivel terceira candidatura, o cientista político acha pouquissimo provável:

Na atual conjuntura, tudo indica que vamos repetir um quadro muito consolidado de polarização que percebemos nas eleições desde 2018. (...) Então, tudo indica que vamos presenciar, mais uma vez, uma eleição muito polarizada, porém, com um nível de radicalidade ideológica menor. (...) A pesquisa Quest ressalta o avanço de Flávio Bolsonaro para além das fronteiras do bolsonarismo e Lula ainda com uma rejeição muito estabilizada que tem o desafio de contornar esse cenário, restando sete meses para a eleição".

A pesquisa foi realizada entre os dias 6 e 9 de março, e registrada junto à Justiça Eleitoral sob o número BR-05809/2026. Foram feitas 2.004 entrevistas presenciais, com brasileiros de 16 anos ou mais. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.