Flamengo repete feito de 40 anos atrás e torcedor deve valorizar geração

 

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O gol de Arrascaeta na vitória de 3 a 0 sobre o Madureira, no último domingo, no Maracanã, em cobrança de pênalti, não foi apenas o centésimo com a camisa do Flamengo. Ele tem relevância maior no contexto histórico. Agora, o clube tem no elenco três jogadores com um mínimo de 100 gols marcados, feito que não era registrado desde os anos 80, época em que o trio Zico, Adílio e Tita fazia a alegria dos rubro-negros.

O meia uruguaio chegou aos 100 gols, com 101 assistências, em 361 jogos pelo Flamengo. E se juntou a Pedro (152 gols e 37 assistências em 311) e Bruno Henrique (112 gols e 56 em 349) na hipotética galeria dos artilheiros centenários do clube. Zico fez 395 e deu 147 passes para gols em 576 jogos. Tita fez 134, com 41 assistências, em 389 partidas; e Adílio, 101 gols e 67, em 452 jogos. Craque que marcaram pelo virtuosismo e pela eficiência.

Zico vestiu a camisa do Flamengo por doze anos seguidos, de 1971 a 83, e depois de 1985 a 89. Tita jogou de 1977 a 82, depois de 1983 a 85; e Adílio esteve no clube por onze anos seguidos, de 1976 a 87. O trio atual tem menos tempo: Arrascaeta e Bruno Henrique chegaram em 2019, e Pedro em 2020. Lembrando que Gabriel Barbosa, que reinou entre 2019 e 2024, deixou o clube com 161 gols e 44 assistências em 306 jogos.

Fico com a impressão de estarmos vivenciando os últimos anos de uma geração da qual se sentirá saudades. Arrascaeta, que em junho fará 32 anos idade, fez um 2025 exuberante, é verdade. Mas já exibe dificuldades para carregar o time. Bruno Henrique fez 35 em dezembro e, ainda que sustente o caráter decisivo, não suporta muito tempo na voltagem exigida por Filipe Luís. Pedro, com 28 anos, é quem tem um prazo de validade mais extenso.

Não tenho o intuito de comparar diferentes gerações, tampouco estabelecer parâmetros para destacar os feitos de uma ou de outra. No entanto, sugiro que os torcedores valorizem o olhar contemplativo, ainda que sejam críticos e exigentes. Não é fácil ter no time três jogadores com mais de 100 gols. O Flamengo, por exemplo, precisou de 40 anos...

DEVER DE CASA

A derrota de 1 a 0 do Botafogo para o Nacional no jogo de ida da fase pré da Libertadores, nos 4 mil metros de Potosí, na Bolívia, não retratou a qualidade dos times. Hoje, no Nílton Santos, o conjunto de Martín Ansemi terá a chance de provar que está no caminho certo.