Flamengo investe em pessoal, reforça o marketing e tenta se tornar a maior referência do entretenimento esportivo

 

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Luís Eduardo Baptista, o Bap, tem visão particular sobre os caminhos que o Flamengo deverá seguir para se descolar cada vez mais da concorrência. Para ele, executivo que fez fortuna pessoal na gestão de empresas na indústria áudio & visual, o negócio do clube que ele hoje preside extrapola o perde-e-ganha do esporte. O mandatário rubro-negro acredita que a instituição se consolidou como referência no entretenimento esportivo do país e o objetivo agora é explorar a popularidade dela para monetizar a relação com um público consumidor estimado em mais de 40 milhões de seguidores pelo país afora.

Por isso, enquanto os rivais discutem a necessidade de reforçar seus times com contratações de jogadores, o Flamengo encerrou a última janela para inscrição de nova aquisições olhando mais para o time de executivos da área comercial do que para o elenco administrado por José Boto e treinado por Leonardo Jardim. Melhor: enquanto o Fluminense, adversário deste domingo (12), discutia vantagens de criar sua SAF; o Botafogo tentava se ver livre da gestão pouco confiável do americano John Textor; e o Vasco penava para revender a SAF tomada das mãos da falida 777, o Flamengo investia na ampliação do seu time responsável por novos negócios.

Balanço financeiro do Flamengo no exercício de 2023 registra superávit de R$ 320 milhões

Infoarte - Grupo Globo

Segundo balanço publicado há duas semanas, o gasto com salários, encargos e benefícios a funcionários aumentou em R$ 17.151 milhões no último ano - R$ 59.540 em 2024 (último ano da gestão Rodolfo Landim) para R$ 76.691 em 2025 (primeiro ano ano da gestão BAP). Números que tendem a crescer em 2026. Recentemente, somaram-se ao corpo de quase 1.800 funcionários três novos diretores contratados para potencializar as receitas do clube: Manoela Sudbrak, que cuidará da captação de recursos na relação com o torcedor; Edgar Carmo, responsável pelos negócios gerados no comércio eletrônico; e Fred Nantes, até então diretor de competições da Conmebol, agora o CEO da Fla-Flu Serviços, responsável pela administração do Maracanã.

Todos locados no marketing, área diretamente ligada à BAP e que já possuía dois diretores - Marcos Senna, comercial, e Flávia da Justa, comunicação/Flamengo TV. Não à toa, cerca de 50% dos R$ 2,08 bilhões faturados em 2025 vieram dessa pasta. Não à toa, o uniforme do clube já carrega quase meio bilhão por ano (R$ 467 milhões) com a exposição da marca de seus patrocinadores. Porque não é só vender espaço na camisa, nas meias ou no short - é fazer da paixão do torcedor o elo entre a marca e seu cliente, criando projetos de engajamento e ampliando a sensação de pertencimento entre o clube, seu fiel consumidor e os parceiros comerciais. Um círculo virtuoso que fortalece o potencial da marca Flamengo, independentemente de possíveis oscilações do time de futebol.

A ideia é gerar encantamento e conforto, fazendo girar a economia do clube a reboque da atratividade dos jogos. Modernização das instalações VIPs do Maracanã, maximização dos espaços das arquibancadas, aumento no número de vantagens do plano de Sócio-Torcedor e ampliação do alcance da FlamengoTV. Por isso, o investimento cada vez maior em pessoal. BAP quer transformar o clube não só num "Real Madrid da Shopee" como apontou a presidente do Palmeiras, Leila Pereira, mas numa "Disney tupiniquim" capaz de oferecer entretenimento em distintas plataformas - e faturar cada vez mais, é claro.

Novo uniforme branco do Flamengo para 2026

Divulgação / Adidas

O Flamengo percebeu há mais de uma década que sem eficiência corporativa não monetizaria a paixão que desperta em 40 milhões de potenciais consumidores. E, atualmente, só mesmo o Palmeiras acompanha a pegada, com números razoáveis extraídos de um universo de seguidores menor. Algo que, por ora seus rivais cariocas, SAFs ou não, não conseguem. Ainda seguem presos a um passado recente, quando as receitas vinham dos ingressos vendidos, dos direitos de transmissão, das venda de atletas e de um ou outro patrocinador. Caminham preocupados em contratar jogadores, quando na verdade o dinheiro deveria estar dividido entre o campo e os craques do marketing...