Flamengo fica nas cordas para o Palmeiras após ter Carrascal expulso, mas jogo não foi termômetro que justifica rivalidade; análise
O esperado duelo entre Flamengo e Palmeiras se transformou no jogo mais atrativo de acompanhar no futebol brasileiro mesmo quando o futebol jogado dentro de campo não é lá essas coisas. A vitória da equipe paulista em pleno Maracanã, por 3 a 0, que aumentou a distância na liderança para sete pontos, teve no roteiro provocações da torcida da casa pelo último título sobre o rival na Libertadores e a réplica em campo depois dos gols de Flaco, Allan e Paulinho, mas a partida marcada pela expulsão de Carrascal também entregou ingredientes para as inúmeras teorias da conspiração que movimentam o imaginário do torcedor nas redes e nos estádios, aguçando a rivalidade entre os clubes.
Antes de a bola rolar e o Flamengo começar em ritmo alucinante empurrado por sua massa, a diretoria emitiu nota oficial para criticar a CBF pelo não adiamento da próxima rodada, em função do grande número de convocados. A queixa também foi do Palmeiras, que agiu apenas nos bastidores. Com os dois times repleto de atletas que estarão na próxima Copa do Mundo, o Flamengo começou superior, mas a expulsão do meia colombiano por um pé alto na cabeça de Murilo estragou o jogo, ao menos para os cariocas.
Fla desperdiça chances e Palmeiras aproveita
Depois do domínio sobre o Palmeiras, o Flamengo se desencontrou na partida e levou o gol de Flaco Lopez, que arrancou a bandeirinha do clube do mastro que marca o escanteio e provocou confusão. Era só mais uma da série de lances de tumulto e simulação que decorreram da expulsão de Carrascal. A partir daí, já não se viu mais futebol de qualidade. Melhor para o Palmeiras, que tinha na confusão uma estratégia.
Até os vinte minutos, o Flamengo criou chances com Paquetá e Samuel Lino, mas ambos desperdiçaram por preciosismo. Conservador, o Palmeiras esperou seu momento para sair na frente e ampliar o domínio. Em jogo de transição, apostou nas saídas com Andreas Pereira e Marlon Freitas, ancorado por Arias nas arrancadas pela esquerda e pelo jovem Allan, destaque do jogo.
Em lance que começou com Marlon Freitas, Allan foi lançado, limpou a defesa e tocou para Flaco Lopez, que abriu o placar aos 37 minutos. O jovem meia do Palmeiras passou a ditar o ritmo do jogo, enquanto Arias fazia o papel de receber quase todas as bolas de costas e levar o time à frente com força e velocidade.
Jardim deixa time aberto
Sem Carrascal, Pedro ficou isolado no ataque do Flamengo correndo atrás dos adversários, algo que não sabe fazer. Com um recuo estratégico para não perder o jogo de vez, Leonardo Jardim tentou ajustar o time no intervalo com a entrada de Bruno Henrique no lugar de Everton Araújo, recuando Paquetá para o lado de Jorginho. A mexida abriu o time. E o Palmeiras aproveitou. Allan, em bela arrancada, tabelou com Arias e marcou o segundo. Calando os mais de 60 mil rubro-negros no Maracanã.
Além de deixar um buraco na defesa, as mudanças conservavam a dupla Paquetá e Pedro em campo. O meia, um dos convocados da seleção brasileira, não conseguiu produzir dinâmica suficiente para levar perigo como Allan, salvo alguns raros arremates de longe. O camisa nove, por sua vez, ficou totalmente prejudicado pelo fato de o Flamengo ter um jogador a menos. Plata somou forças na vaga de Lino, que caiu muito de produção. E Jardim não encontrou novos mecanismo para suprir a desvantagem numérica e a resignação pela derrota justa pelas circunstâncias pareceu contentar a todos.
O jogo terminou como começou, mas invertido. Com o Palmeiras dominando e trocando passes, enfileirando chances, trocando atletas para dar mais gás ao ataque, e fazendo o Flamengo sofrer nas cordas, torcendo para o apito final para escapar de um placar mais elástico. O gol de Paulinho, com direito a pedido de silêncio para a torcida, causou grande confusão no fim. Apesar da diferença de gols, o jogo não foi o melhor parâmetro para contar vantagem entre rivais que já jogaram mais bola.
