Após a extensão de seu contrato até 2030 com o Palmeiras, José Manuel López surpreendeu um grupo de crianças com sua presença na sala de conferência de imprensa do centro de treinamento.
Além do carinho mútuo, o cenário foi propício, justamente, para perguntas e respostas, embora nem tudo tenha se restringido à sua experiência no Verdão: as principais foram voltadas para a seleção argentina e sua vivência recente na Copa do Mundo.
Já é conhecido o que aconteceu no dia 19 de julho, quando a Espanha impediu que Lionel Messi e a Argentina levantassem o tão esperado troféu pela segunda vez consecutiva, após a conquista no Catar 2022.
Na celebração, enquanto o campeão já se preparava para erguer o troféu, quase todo o elenco albiceleste estava de costas para a premiação.
Muitos, especialmente os espanhóis, interpretaram essa decisão como falta de saber perder.
A versão argentina não foi outra senão a de ter se aproximado dos torcedores para vê-los cantar e agitar camisetas e bandeiras em meio à dor por não conseguirem presenteá-los com a quarta estrela.
Talvez, tenha sido a última imagem do 10 com a seleção após a despedida que publicou na última segunda-feira no Instagram.
Para refutar a versão de desrespeito, naquele momento, o próprio Messi se posicionou em direção à celebração e, assim que Rodri levantou o troféu, deu a ordem como capitão de deixar o campo.
No entanto, houve outro protagonista que para o resto do mundo não passou despercebido.
Foi o Flaco, que decidiu — em todos os momentos — ficar de frente para o campeão para vê-los celebrar.
Um contraste elogiado por aqueles que consideraram que a maioria do elenco argentino foi um mau perdedor.
De fato, na reunião com os jovens torcedores do Palmeiras que foi organizada nas últimas horas, o atacante tocou no assunto após a pergunta de um dos meninos, que lhe causou gargalhadas e algumas batidas na mesa, incrédulo de como, a partir da inocência, surgiu uma inquietação digna de um jornalista: “Por que você foi o único que olhou para a celebração da Espanha?”.
— Acho que se deve, em grande parte, ao que nosso treinador, Abel (Ferreira), nos inculca e sempre nos diz.
Que sejamos respeitosos com isso.
Acho que era um momento que eu precisava olhar porque quero voltar lá algum dia e conseguir vencer.
Faz parte do sofrimento: é preciso aceitá-lo e encarar a realidade — iniciou a reflexão sobre o significado de encarar a alegria alheia, com o objetivo fixo de estar na Copa de 2030 sendo coroado.
— Isso te torna muito mais forte para finalmente conseguir o que tanto deseja.
É algo que vivemos quando não conseguimos vencer; o futebol é um esporte, então aceitamos da melhor maneira.
Damos tudo em campo e, quando não dá para vencer, assumimos e seguimos em frente — concluiu a resposta.
É claro que não foi a única coisa que lhe perguntaram sobre o vice-campeonato mundial.
Messi e participar de uma Copa do Mundo foram duas perguntas separadas que ele recebeu.
— Uma sensação única.
Porque, assim como você deve ter seus ídolos, na sua idade eu o olhava jogar na seleção e era um sonho estar lá.
Até fico nervoso quando estou perto dele.
É muito especial para mim porque me lembra o passado, quando eu era um menino como vocês e queria tanto conseguir aquilo...
Então, fui muito feliz — respondeu sobre a vivência de jogar ao lado do craque.
A quem incluiu ao se referir aos seus sentimentos por jogar sua primeira Copa do Mundo, aos 25 anos.
— Foi outro sonho realizado que tenho desde criança: jogar pela minha seleção e também disputar uma Copa do Mundo.
Então foi muito especial para mim.
Por isso agradeço a Deus, aos meus pais por tudo o que fizeram por mim.
Também, pela forma como foi, que conseguimos chegar à final.
Não vencemos, mas estivemos muito perto.
E jogá-la com meu maior ídolo foi o máximo.
López tinha contrato até 2029 com o Palmeiras, mas ao rejeitar uma oferta de 25 milhões de euros, proveniente do CSKA de Moscou, a instituição paulista decidiu atualizar os valores do vínculo, estendendo-o por mais um ano e aumentando tanto o seu salário quanto a multa rescisória: extraoficialmente fala-se em um valor de 100 milhões de euros, embora exista uma promessa de venda que não necessariamente precise chegar a esse montante.
