Fitas originais do pouso da Apollo 11 foram apagadas e não escondidas, explica divulgador científico; entenda

 

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As fitas com a transmissão original de alta qualidade do pouso da Apollo 11 na Lua foram apagadas após serem arquivadas de forma discreta em uma área de armazenamento não identificada da Nasa. Embora outras gravações da missão histórica de 1969 tenham sido preservadas, a perda desse material específico alimentou, ao longo de décadas, teorias da conspiração que questionam desde o que os astronautas teriam visto até a própria veracidade da alunissagem.

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Segundo Tim Dodd, divulgador científico conhecido como Everyday Astronaut no YouTube, as fitas apagadas eram apenas gravações magnéticas de backup que continham o sinal bruto enviado do espaço. Em entrevista, nesta segunda-feira (9), ao podcast de Danny Jones, ele afirmou que a NASA não considerava esse material essencial, já que todos os dados críticos, áudio, vídeo e telemetria, foram transmitidos com sucesso para Houston e exibidos ao vivo na televisão.

Como funcionava a transmissão da Apollo 11

De acordo com Dodd, o sinal de vídeo da Lua era recebido por estações em solo, como uma no deserto de Mojave, na Califórnia, e dividido em duas transmissões. Uma delas seguia para o Centro de Controle da Missão, em Houston, onde os dados eram monitorados e gravados. Esse vídeo, no formato de “varredura lenta”, foi convertido para o padrão de TV NTSC por meio de um cinescópio, técnica que consistia em filmar um monitor, e resultou nas imagens de qualidade inferior vistas pelo público em 1969.

A outra transmissão correspondia ao backup bruto, gravado diretamente em grandes fitas magnéticas, com cerca de 30 centímetros de largura. Essas gravações funcionavam como uma rede de segurança, caso houvesse falhas na comunicação com a espaçonave, o que não ocorreu durante a missão.

As fitas de backup acabaram sendo sobrescritas nas décadas de 1970 e 1980, quando a NASA reutilizou rolos magnéticos antigos devido à escassez desse material. “Ninguém imaginava um futuro em que seria possível digitalizar novamente essas imagens e aumentar sua resolução”, explicou Dodd, destacando que hoje a tecnologia permitiria extrair muito mais qualidade do sinal bruto.

Apesar disso, a agência espacial ainda mantém milhares de horas de dados que comprovam o pouso na Lua, incluindo registros de telemetria, áudio e vídeo de Houston. Além disso, há filmes de 70 milímetros gravados pelas câmeras usadas pelos astronautas na superfície lunar — um formato de altíssima definição que segue em uso em produções IMAX.

Dodd classificou como “mal interpretadas” as alegações de que a NASA teria apagado deliberadamente as gravações da alunissagem. Ele reconheceu, no entanto, que o encerramento das missões lunares em 1972 ainda gera questionamentos. Segundo o divulgador, o motivo foi essencialmente econômico: o programa Apollo teria custado o equivalente a cerca de US$ 300 bilhões em valores atuais, sobretudo devido à construção e aos lançamentos dos foguetes Saturno V. “Havia outros foguetes e equipamentos prontos, mas decidiu-se que não valia mais a pena”, afirmou.