Fiocruz: casos graves de infecção respiratória crescem em quase todo o país
Os casos de infecção respiratória grave estão em alta em quase todo o Brasil, mostra o novo Boletim InfoGripe divulgado nesta sexta-feira. O projeto, desenvolvido pelo Programa de Computação Científica da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), monitora os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), aqueles que evoluem para hospitalização.
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A análise mais recente, referente ao período de 22 a 28 de fevereiro, mostra que a alta é puxada principalmente pelo aumento das internações por rinovírus, que causa resfriado comum, em crianças e adolescentes de 2 a 14 anos; pelo vírus sincicial respiratório (VSR), que causa bronquiolite infantil, entre menores de dois anos e pelo influenza A, que causa gripe, na população de jove
ns, adultos e idosos.
Com exceção de Roraima, Tocantins, Espírito Santo e Rio Grande do Sul, todos os estados estão com tendência de crescimento dos casos de SRAG no longo prazo (últimas seis semanas). Entre eles, 10 estão com nível de atividade em alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas: Acre; Amazonas; Pará; Amapá; Rondônia; Mato Grosso; Goiás; Distrito Federal; Maranhão e Sergipe.
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Na maioria desses estados, exceto Acre, Pará, Amapá e Maranhão, foi observado o aumento importante entre crianças e adolescentes causado principalmente pelo rinovírus. Em alguns estados do Norte (Acre, Amazonas e Pará), Centro-Oeste (Mato Grosso e Goiás), e em Sergipe, também há início ou manutenção da alta dos casos de crianças de até 2 anos associado ao VSR.
Já o influenza tem levado a um crescimento especialmente no Pará, Amapá, Mato Grosso e Maranhão, em geral na população de jovens, adultos e idosos. Em nota, a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, orienta sobre cuidados importantes para evitar os casos de SRAG nos mais novos, principal público afetado:
“O aumento de casos de SRAG em crianças e adolescentes muito provavelmente está relacionado ao retorno às aulas. Portanto, recomendamos que, caso a criança ou adolescente apresente algum sintoma de gripe ou resfriado, que os pais evitem levá-la à escola, para evitar a transmissão do vírus para outras crianças. Se não for possível deixar a criança ou adolescente em casa, o ideal é que ela use uma boa máscara, especialmente dentro da sala de aula”.
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Entre as capitais, o boletim aponta que 12 apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco nas últimas duas semanas com sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Aracaju (SE); Belém (PA); Belo Horizonte (MG); Brasília (DF); Cuiabá (MT); Fortaleza (CE); João Pessoa (PB); Macapá (AP); Manaus (AM); Porto Velho (RO); Rio Branco (AC) e São Luís (MA).
No Brasil, em 2026, já foram notificados 14.370 casos de SRAG, sendo 5.029 (35%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório. Entre eles, 40% foram confirmados como pelo rinovírus; 20% pelo influenza A; 1,7% pelo influenza B, que também causa gripe; 17% pelo Sars-CoV-2, que causa Covid-19, e 13,6% pelo VSR. A incidência de SRAG é mais elevada entre as crianças pequenas, enquanto a mortalidade se concentra principalmente nos idosos.
