Jean Martinelli, do BB: busca de sinergia com fintechs, agritechs e govtechs
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As fintechs continuam na liderança dos aportes em startups no Brasil, com apoio de estratégias de investimentos de instituições financeiras.
Os bons resultados das parcerias realizadas levaram os fundos corporativos de capital de risco (CVCs) do setor a manterem resiliência ante a redução de operações desse tipo no país.
“Eram uma centena de CVCs três anos atrás.
Hoje são cerca de 70 registrados, com menos de 50 ativos de fato”, diz o gerente-sênior de M&A da EY-Parthenon, Juan Warley.
Em 2025 os aportes em startups com participação de capital corporativo tiveram papel proeminente, cerca de metade dos investimentos totais no período, segundo dados da empresa de inteligência de dados Sling Hub.
As fintechs ficaram com 62% do total investido em startups no ano, levando R$ 2,77 bilhões de dólares.
Também responderam por seis das dez maiores rodadas de captação de 2025, mas levaram 90% do investimento no grupo.
Já no primeiro semestre deste ano, a participação das fintechs nos aportes subiu para 67%, com US$ 1,77 bilhão.
Um dos destaques é a maior participação de fundos de investimento em direitos creditórios (FDICs), indicando a diversificação de instrumentos - incluindo, além de equity, debêntures, notas promissórias, mútuos - e a estratégia dos bancos, que atuam tanto como investidores nas fintechs quanto como provedores de serviços para estruturação e lançamento dos FDICs, além de clientes.
“Das dez maiores rodadas em fintechs entre 2025 e 2026, apenas duas são de equity”, aponta João Ventura, CEO da Sling Hub.
A CloudWalk é um exemplo.
A dona da plataforma de serviços financeiros InfinitePay captou R$ 5,5 bilhões em abril, em nova emissão de cotas de seu FIDC, a maior já realizada no mercado, com coordenação da Bradesco BBI e participação do Itaú BBA, BTG Pactual, Safra, UBS BB e BV.
O setor bancário é um dos que conseguiram capturar mais valor de seus investimentos corporativos, inserindo as fintechs em seus canais de distribuição e adotando suas soluções.
“As empresas buscam se conectar a teses como favorecimento de eficiência operacional, dados, segurança e novos mercados já conhecidos, reduzindo espaço para teses mais disruptivas”, avalia Leonardo Bona, líder de pesquisa da consultoria e empresa de tecnologia Distrito.
Inteligência artificial e open finance estão entre temas em realce.
Renato Lulia, diretor de estratégia corporativa, relações com investidores e M&A proprietário do Itaú, conta que o investimento em fintechs faz parte da estratégia da instituição.
O CVC Itaú Ventures, criado em 2019, possui R$ 875 milhões de capital comprometido e previsão de alocar cerca de R$ 250 milhões nos próximos dois anos.
O fundo já aportou R$ 340 milhões em 11 empresas, como PsiQuantum (computação quântica), Digibee (integração de sistemas), Liqi (tokenização), Nagro (crédito agropecuário) e Kanastra (fundos estruturados).
“O Itaú Ventures está estruturando uma frente internacional de fundo de fundos para acessar gestores globais e antecipar tendências”, diz Lulia.
O banco também comprou a Zup, de computação em nuvem, e investiu em empresas como a plataforma de investimentos para brasileiros no exterior Avenue e a Neospace (IA).
O Banco do Brasil optou por estratégia de CVC em 2020, de olho em sinergia com fintechs, agritechs e govtechs.
O orçamento inicial, de R$ 200 milhões, foi direcionado a cinco fundos, três deles exclusivos, que ficaram com R$ 150 milhões.
Em 2025 foram acrescentados mais R$ 300 milhões.
Das cerca de 50 investidas, nove estão sob os fundos exclusivos, das quais seis têm soluções incorporadas ao banco.
Entre elas, o BB Expenses, com a Payfy, para gestão de despesas corporativas; e a incorporação da linha de crédito BB Realiza em checkouts de e-commerce junto da Pagaleve, focada em “buy now pay later” (parcelamento) de compras com Pix, conta Jean Martinelli, gerente-executivo de inovação aberta do banco.
Já o Bradesco atua com fundo de venture capital (VC), com investimentos minoritários em 18 empresas de diferentes setores e cerca de R$ 1,2 bilhão sob gestão, além de private equity, com cheques maiores para empresas mais maduras, e aquisições.
Os exemplos de capital de risco incluem Asaas, de gestão financeira para empresas e candidata a unicórnio, e Grão Direto, de comercialização de insumos agrícolas.
“O investimento em fintechs com posições fortes em nichos facilita o acesso a novos segmentos de clientes, capacidades tecnológicas e formas mais eficientes de distribuição”, avalia Henrique Lima, chefe do Bradesco Private Equity e Venture Capital.
Fintechs seguem como destaque das startups
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