Fintechs brasileiras rivais enfrentam estreia turbulenta em Bolsa dos EUA enquanto a do Brasil vive euforia
Duas listagens de empresas brasileiras nos Estados Unidos enfrentaram a oscilação do apetite dos investidores e mercados voláteis, um lembrete da fragilidade da incipiente retomada da abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) do paÃs.
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O PicPay, fintech brasileira controlada pela famÃlia Batista, viu suas ações caÃrem 23% até o fechamento de quarta-feira, após levantar US$ 434 milhões em uma oferta pública inicial de ações na Nasdaq. Duas semanas depois, a rival Agibank teve que reduzir sua oferta de US$ 240 milhões para concluir a operação, definindo o preço por ação 20% abaixo do piso da faixa indicativa original.
As ofertas marcaram as primeiras aberturas de capital significativas do Brasil em mais de quatro anos e podem ser seguidas pelas estreias das empresas de saneamento Aegea, de sanemaento, e BRK Ambiental. É esperado que ambas sejam ofertadas na B3, caso avancem.
A fraqueza nas ações do PicPay e do Agibank ocorre em meio a uma série de fortes oscilações nas bolsas americanas, com o aumento das preocupações sobre valuations inflacionados e a apreensão dos investidores quanto ao impacto da inteligência artificial em partes do setor de tecnologia, particularmente em empresas de software.
Em seu primeiro dia de negociação, as ações do Agibank fecharam em queda de 10%, a US$ 10,75 cada.
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Espera-se que as novas ofertas públicas iniciais levem a um segundo ano consecutivo de crescimento nas vendas de ações brasileiras. Nos últimos anos, muitas empresas tentaram abrir capital, mas engavetaram seus planos, incluindo a Moove, subsidiária do conglomerado Cosan.
— Esta foi a janela mais clara até agora para as empresas abrirem capital. Poucos esperavam que a janela se abrisse tão rapidamente — disse Marcelo Okura, co-responsável de mercados globais para a América Latina do Grupo UBS, em São Paulo.
A América Latina tem se beneficiado da renovada demanda por ativos de mercados emergentes, à medida que os investidores reavaliam anos de forte exposição aos mercados americanos.
Estrangeiros injetaram mais de R$ 30 bilhões em ações brasileiras no mês passado, elevando o Ibovespa em 13%, em meio à s expectativas de que os cortes na taxa de juros comecem no próximo mês, levando o Ãndice Selic abaixo de sua máxima em duas décadas, de 15%.
Ainda assim, qualquer afrouxamento monetário significativo dependerá do resultado das eleições de outubro, que devem fornecer pistas sobre se o próximo presidente do Brasil buscará reformas econômicas com o objetivo de lidar com o crescente déficit fiscal do paÃs.
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— Um aumento significativo nas emissões é improvável até que a taxa básica de juros do Brasil caia abaixo de 10%. Mas algumas empresas ainda podem aproveitar a janela de oportunidade antes das eleições — disse Ted Mann, analista sênior de mercados emergentes da Ariel Investments em Nova York.
Em outros paÃses da América Latina, três IPOs estão sendo planejados no México, enquanto a produtora de energia argentina Genneia mira uma listagem nos EUA, de acordo com a agência Bloomberg.
Os investidores continuam acompanhando os planos do Citi de abrir o capital de sua unidade de banco de varejo mexicana, o Banamex. Embora o gigante de Wall Street tenha se recusado a reafirmar o compromisso com um IPO neste ano, sinalizou que buscará ativamente vender participações minoritárias adicionais antes de uma eventual listagem.
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