Financiado por Vorcaro, filme sobre Bolsonaro teve set fiscalizado após relatos de atraso em pagamento e comida estragada

 

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Pivô da troca de mensagens entre o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) teve nos últimos meses inúmeros relatos de condições precárias no set de filmagem. Delegados sindicais visitaram a gravação depois de funcionários apontarem situações como atraso no pagamento, comida estragada e agressões.

Pelo menos 14 figurantes que participaram das gravações de “Dark Horse” se mobilizaram para processar os produtores do filme, segundo noticiou em dezembro a coluna Capital, do GLOBO. De acordo com as fontes, os figurantes alegam ter sido submetidos a condições de trabalho inadequadas e “humilhantes” no set, que incluíram restrições ao uso do banheiro.

Eles afirmam ainda que foram surpreendidos com o tema do filme no momento das filmagens. Ou seja, só souberam na hora que participariam de uma obra sobre Jair Bolsonaro. As jornadas também foram mais extenuantes que a média, dizem os contratados.

A mobilização deles corrobora as diversas denúncias recebidas pelo Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões do Estado de São Paulo (Sated-SP), que colheu relatos. O sindicato chegou a enviar delegados sindicais ao set no ano passado.

— Muitos dos figurantes se sentiram constrangidos, porque são críticos a Bolsonaro e não queriam estar associados a um filme com essa temática. O que muitos fizeram foi exagerar a atuação durante as filmagens, na esperança de que cortassem imagens com figurantes que se esforçaram para aparecer — contou uma figurante à coluna Capital.

Sinopse

O longa adotará narrativa heroica para retratar o ex-presidente como "improvável vencedor" das eleições e pretende alcançar o público internacional. Imagens vazadas das gravações mostram o ator americano Jim Caviezel, que dará vida a Bolsonaro, interpretando o episódio da facada sofrida pelo ex-presidente em 2018, em Juiz de Fora (MG), durante a corrida eleitoral.

O elenco aposta em outros nomes internacionais, como Lynn Collins (“John Carter – Entre Dois Mundos”) e Esai Morales (“Missão: Impossível – O Acerto Final”), além do brasileiro Felipe Folgosi, que interpreta um policial federal.

O diretor Cyrus Nowrasteh tem 69 anos e é conhecido por filmes de temática religiosa, como "O apedrejamento de Soraya M." (2008), "O jovem messias" (2016) e "Sequestro internacional" (2019).

Pedido de Flávio a Vorcaro

Como revelou o site “The Intercept”, Flávio Bolsonaro pediu a Vorcaro uma ajuda para efetuar novos pagamentos que ajudassem o filme. O acordo entre eles já havia rendido transferências de R$ 62 milhões. O Master não apareceria formalmente como patrocinador do longa.

"Tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e eu fico preocupado com o efeito contrário ao que a gente sonhou pro filme", diz o senador, em áudio enviado ao banqueiro.

Em outra mensagem — enviada na véspera da prisão de Vorcaro, em novembro do ano passado, Flávio sinalizou proximidade com o dono do Master.

“Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!", enviou.