Fim de investigação contra Powell favorece confirmação de seu sucessor no banco central dos EUA
A decisão do Departamento de Justiça (DOJ) de encerrar uma investigação criminal contra o presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, favorece a confirmação de Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump para chefiar o Federal Reserve, o banco central americano.
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O senador republicado da Carolina do Norte, Thom Tillis, disse que está retirando seu bloqueio à indicação de Warsh para suceder Powell, cujo mandato termina no dia 15 de maio, depois que a procuradora federal dos EUA, Jeanine Pirro, decidiu abandonar a investigação criminal sobre o Fed, removendo, segundo Tillis, uma ameaça à independência do banco central americano.
O senador republicano disse ter recebido garantias do Departamento de Justiça de que o caso criminal contra Powell e o Fed foi “completamente e totalmente resolvido”, enquanto o inspetor-geral do Fed conduz uma investigação separada sobre custos excedentes na reforma do prédio do banco central.
“Com essas garantias, estou ansioso para apoiar a confirmação de Kevin Warsh”, disse Tillis neste domingo, em comunicado. “Ele é um candidato excepcional, e é hora de o Federal Reserve deixar essa distração para trás e voltar a concentrar toda a sua atenção em sua missão.”
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Warsh, que compareceu perante o Comitê Bancário do Senado em uma audiência de confirmação na semana passada, conta com amplo apoio dos parlamentares republicanos. O colegiado, do qual Tillis faz parte, agendou uma votação sobre a indicação de Warsh para a próxima quarta-feira, dia 29.
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Com base em suas conversas com o Departamento de Justiça, Tillis disse ao programa Meet the Press, da NBC, que está “preparado para seguir adiante com a confirmação do sr. Warsh”.
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Bloomberg
Detentor do voto decisivo no comitê do Senado com jurisdição sobre o Fed, Tillis havia prometido bloquear a confirmação de Warsh enquanto Powell estivesse sob investigação de promotores federais, classificando a apuração criminal como um ataque à independência do banco central.
“Esse era o meu problema desde o início, porque sinto que havia promotores em Washington, D.C., que achavam que isso seria uma forma de pressionar o sr. Powell a sair antes do tempo”, disse Tillis à NBC.
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Ao longo do fim de semana, ele afirmou ter recebido do Departamento de Justiça “as garantias de que precisava para sentir que não estavam usando o DOJ como arma para ameaçar a independência do Fed”.
“Assim, isso permitirá que o sr. Warsh avance com sua confirmação no prazo”, acrescentou Tillis.
O inspetor-geral do Fed, Michael Horowitz, é “um dos inspetores-gerais mais respeitados em Washington ou em todo o governo”, disse Tillis, acrescentando acreditar que a investigação do IG concluirá que não houve irregularidades no projeto de reforma.
O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell (segundo à direita), conversa com o presidente Donald Trump (de gravata vermelha) enquanto eles visitam obra de renovação prédio do Federal Reserve em Washington
Chip Somodevilla/Getty Images via Bloomberg
Jeanine Pirro, procuradora federal dos EUA para o Distrito de Columbia, expediu intimações ao banco central em janeiro como parte de uma investigação criminal sobre estouros de custos na reforma de um prédio do Fed e sobre o depoimento prestado por Powell ao Congresso sobre o assunto.
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Sua investigação criminal ocorreu após meses de ataques ao presidente do Fed por parte do presidente Donald Trump, que reclamava que Powell não estava reduzindo as taxas de juros com rapidez suficiente. O Escritório do Inspetor-Geral do Fed iniciou sua análise da reforma da sede do banco central no ano passado, a pedido de Powell.
Pirro afirmou em uma publicação nas redes sociais na sexta-feira que encerraria a investigação enquanto o inspetor-geral do Fed examina os custos da reforma, embora tenha dito: “não hesitarei em retomar uma investigação criminal caso os fatos justifiquem fazê-lo”.
Embora o mandato de Powell como presidente do Fed termine em 15 de maio, seu assento na conselho de diretores do Fed não expira até 2028 — e a reversão parcial do Departamento de Justiça não garantirá sua saída do conselho.
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Trump comentou brevemente sobre o caminho de Warsh ao ser questionado por repórteres no sábado, dizendo: “imagino que seja tranquilo” agora que Pirro encerrou a investigação criminal. Mas o presidente americano se recusou a dar sinal verde total a Powell, citando a investigação do inspetor-geral do Fed e dizendo: “tenho a obrigação de descobrir” o que está por trás do estouro de custos.
A incerteza persistente sugere pressão contínua do governo Trump que pode levar Powell a permanecer no Fed, mesmo que Warsh seja confirmado pelo Senado.
Warsh, de 56 anos, atuou como governador do Fed entre 2006 e 2011 e tem sido crítico da instituição desde que a deixou. Em sua audiência de confirmação na última terça-feira, ele defendeu uma “mudança de regime” na forma como o Fed conduz a política monetária.
