Filipe Luís blindou Bap de dia a dia do Flamengo e criou 'sistema' para proteger as próprias ideias; saiba novos bastidores

 

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A narrativa da demissão de Filipe Luís por parte da diretoria do Flamengo indica desgaste, quebra de confiança, mas há outros fatores do dia a dia no Ninho do Urubu que passaram despercebidos.

O blog apurou com quem acompanha a relação do presidente Bap com o departamento de futebol desde o ano passado e entende que Filipe Luís saiu por tentar manter o controle do próprio trabalho.

Alçado ao cargo pela diretoria anterior, o treinador foi mantido em 2025 pela nova gestão e assim que possível criou uma espécie de sistema para proteger as suas ideias e blindar interferências.

De cara, trouxe para seu lado o diretor José Boto. Mas foi além. Mexeu na comissão técnica, com a vinda de Rodrigo Caio, e se cercou de líderes do elenco que compactuavam com que ele pensava.

Entre eles, os mais próximos eram Danilo, Alex Sandro, Arrascaeta, Bruno Henrique e Léo Pereira.

Na visão de quem viu isso de perto no CT, Filipe centralizou o trabalho com pessoas de confiança ao redor e não deu espaço para interferências da diretoria. Leia-se, do presidente Bap, que se irritou.

Nos bastidores, isso incomodava o dirigente já antes do desgastante processo de renovação. Com a manutenção de Filipe Luís, o preço disso tudo ainda aumentou, já que o técnico teve valorização.

Blindagem gerou centralização

Filipe Luis e Danilo falaram sobre poder de adaptação do Flamengo e dos brasileiros

Gilvan de Souza/Flamengo

A leitura de alguns profissionais do dia a dia é a de que Filipe mantinha as suas convicções e aos poucos não ouvia mais quem estava ali para pensar no melhor para o Flamengo.

Esse cenário aconteceu em relação a preparação para a temporada 2026 e as escolhas para a equipe. Alguns atletas mais próximos entendiam e apoiavam as ideias, outros começaram a torcer o nariz.

Na parte física, processos que normalmente eram implementados no dia a dia passaram a sofrer mais resistência do elenco. Os funcionários acabavam seguindo o que a comissão técnica determinava. A queda de desempenho nos primeiros jogos do elenco principal ligou o sinal vermelho.

Havia a sensação de que o ambiente era cada vez mais formado por "amigos" de jogadores e do técnico Filipe Luís. Com vitórias e títulos, isso se fortaleceu. E o comando passou a vir de dentro.

Quando os problemas começaram a aparecer em 2026, esse "sistema" não tinha mais escuta e quem falasse alguma coisa temia ser visto como do contra. Mas havia problemas desde o ano passado.

Há relatos de indisciplinas e exageros de atletas em relação a condições em que se apresentavam para os treinamentos e constrangiam os profissionais do dia a dia do CT.

Neste ponto, chamou atenção o tratamento dado a Gonzalo Plata, já multado por atrasos, em relação a conduta com o centroavante Pedro, criticado publicamente por Filipe após o Mundial de Clubes.

Também se notou resistência de jogadores para seguir o que era determinado pelos profissionais do clube na parte física, que no fim das contas acabava alinhada às decisões da comissão técnica.

Filipe justificava as escolhas pelas condições dos jogadores para desempenhar o que ele queria. Isso o fez perder prestígio com nomes como Cebolinha e Luiz Araújo, por exemplo.

Interferência nas contratações

Filipe Luís também ditou o ritmo do Flamengo no mercado. A não contratação de um centroavante se deu pelo fato de o clube não atender aos critérios do comandante.

José Boto, neste sentido, respeitava essa hierarquia técnica e dava a Filipe Luís poder de veto. O diretor também gerou no dia a dia a sensação de pertencer a esse "sistema" centralizado no treinador.

O diálogo com o grupo passava diretamente por Filipe para aí sim chegar aos jogadores. Pela falta de respaldo de Bap, Boto evitava até ser mais incisivo nos últimos meses para bancar o trabalho.

O mandatário teve reuniões para aumentar as cobranças, mas concentrava as exigências em Boto e Filipe, nada chegava diretamente aos jogadores. Nos últimos dias, o clube soltou uma nota em meio aos protestos para dar um recado interno para o elenco em busca de mais comprometimento.

Assim, o poder e o controle interno do vestiário por parte de Filipe Luís foi vencido pelo poder da caneta do presidente. Bap analisou todo o cenário desde o fim do ano passado e decidiu interromper o trabalho. E assim quebrar o sistema vigente no Ninho do Urubu, trazendo o técnico Leonardo Jardim.