A filial italiana da plataforma de entrega de alimentos Deliveroo afirmou, nesta sexta-feira (28), que aumentará em 40% a remuneração de seus entregadores, meses depois de promotores de Milão colocarem a empresa sob administração judicial por suposta exploração trabalhista.
A empresa de origem britânica, controlada pela companhia americana DoorDash, foi acusada pelos promotores de pagar a seus cerca de 20 mil trabalhadores valores abaixo da linha da pobreza, com média entre 3 e 4 euros brutos por entrega.
A Deliveroo afirmou em comunicado que havia definido uma série de medidas concretas, que, “uma vez verificadas, representam um passo importante para o fim do controle judicial e o encerramento da investigação criminal”.
Os promotores de Milão não responderam publicamente ao compromisso assumido pela Deliveroo, e uma fonte com conhecimento direto do assunto disse que a empresa ainda não solicitou formalmente o fim da administração judicial.
A Deliveroo afirmou que elevará sua remuneração mínima para 14 euros por hora, ante dez euros, e adotará uma série de medidas de segurança, incluindo um limite para as horas de trabalho de seus entregadores.
O documento que colocou a Deliveroo sob supervisão judicial em fevereiro afirmou que muitos entregadores trabalhavam sete dias por semana e até 17 horas por dia.
A filial local do serviço espanhol de entregas Glovo, que também foi colocada sob administração judicial por promotores de Milão em fevereiro, anunciou em maio melhorias semelhantes para seus trabalhadores, incluindo um aumento de 40% na remuneração, para pelo menos 14 euros por hora.
A oferta, no entanto, não satisfez os promotores.
Eles emitiram parecer contrário ao pedido da Glovo — que precisa ser avaliado por um juiz — para suspender a administração judicial, segundo um documento datado de 18 de agosto visto pela Reuters.
Os trabalhadores da Glovo continuavam sendo explorados e não estavam sendo pagos por pelo menos 30% das horas trabalhadas, disseram os promotores.
Eles também afirmaram que os entregadores deveriam ser contratados como funcionários da empresa, em vez de trabalharem como autônomos.
A Glovo, controlada pela alemã Delivery Hero, afirmou que apresentará ao tribunal “as razões pelas quais acreditamos que as medidas adotadas respondem adequadamente às questões levantadas.
A Glovo continuará, como tem feito até agora, a cooperar plenamente com as autoridades”.
