Filhos de autoridades influentes do Irã são professores em importantes universidades nos EUA

 

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Da matemática à medicina, filhos de importantes autoridades do regime teocrático do Irã fazem parte do corpo docente de respeitadas universidades dos EUA, entre elas estão a Universidade de Massachusetts, o Union College de Nova York e a Universidade George Washington. A presença deles em cargos acadêmicos e o contato direto com estudantes americanos gera preocupação de alas conservadoras de como os valores dos EUA podem ser afetados, contou o "NY Post".

Desde o começo da guerra lançada por EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, alguns deles sofreram pressão pela demissão e até deportação. Uma integrante do grupo perdeu o emprego.

Conheça abaixo seis filhos de autoridades iranianas em corpos docentes de prestigiadas instituições de ensino americanas:

Fatemeh Ardeshir-Larijani, filha de Ali Larijani, que comandava o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã e foi morto em ataque aéreo israelense em meados de março, é médica e era professora da Universidade Emory, em Atlanta (Geórgia). Ela foi demitida em janeiro de 2026, mas a pressão pelo desligamento já existia desde dezembro de 2025, após uma repressão violenta de Teerã aos manifestantes contrários ao regime, que resultou em prisões e mortes. Além da demissão, uma petição que reuniu mais de 156 mil assinaturas pedia para que o governo Trump deportasse Fatemeh.

Ali Larijani, que comandava o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, foi morto em ataque aéreo israelense em meados de março

AFP

Na Union College, em Atlanta (Geórgia), Leila Khatami ocupa o cargo de professora de matemática. Ela é filha do ex-presidente iraniano Mohammad Khatami, de 1997 a 2005. Embora ele fosse considerado um reformista dentro do sistema político do Irã, opositores afirmam que ele fazia parte de um governo que tolerava violações dos direitos humanos contra o seu próprio povo. Após o começo da guerra no Oriente Médio, a foto e biografia de Leila Khatami foram excluídas da página da faculdade e dos funcionários do Departamento de Matemática.

Filho de Masoumeh Ebtekar, Eissa Hashemi é professor na Chicago School of Professional Psychology, em Los Angeles (Califórnia). A mãe é ex-membro do Parlamento iraniano e atuou como porta-voz dos estudantes militantes que fizeram 52 diplomatas reféns na embaixada dos EUA em Teerã por 444 dias, na Revolução Islâmica de 1979, que pôs fim ao governo do xá Reza Pahlavi. Além disso, até 2021, Masoumeh ocupou um cargo no alto escalão do governo iraniano, responsável por supervisionar assuntos relacionados às mulheres e ao meio ambiente. Ela sempre defendeu as leis que obrigam o uso de hijab (véu islâmico) pelas mulheres no Irã.

Masoumeh Ebtekar (à direita, com o filho, Eissa) foi porta-voz do grupo armado que invadiu e fez reféns na embaixada dos EUA em Teerã durante a Revolução Islâmica de 1979

Reprodução

Na Universidade de Massachusetts Lowell, Zeinab Hajjarian é professora assistente de engenharia biomédica. Seu pai, Saeed Hajjarian, desempenhou um papel fundamental nas áreas de Segurança e Inteligência do Irã após a revolução de 1979.

Zahra Mohaghegh Damad é filha do aiatolá Mostafa Mohaghegh Damad, um influente clérigo xiita que ocupou diversos cargos no governo iraniano. Ela também é professora no Departamento de Engenharia-Nuclear, de Plasma e Radiologia, na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, e diretora de uma unidade que analisa sistema tecnológicos complexos, incluindo usinas e reatores nucleares.

Na Faculdade de Medicina e Ciências da Saúde, na Universidade de George Washington, Ehsan Nobakht é professor associado e tem especialização em doenças renais e hipertensão. Ele é filho de Ali Nobakht, um renomado médico iraniano e ex-membro reformista do Parlamento. Ele já foi vice-ministro da Saúde do país.

(*) Estagiária sob supervisão de Fernando Moreira.