Não ser convidada para uma festa de aniversário pode ser uma das primeiras experiências de rejeição vividas por uma criança. A tristeza pode ser intensa, e os pais também sofrem ao ver o filho de fora de uma comemoração da qual participam outros colegas.
Hilary Swank, Simone Poncio, Claudia Raia: veja celebridades que se tornaram mães após os 50 Quem é o ‘Gostoso da Paulista’? O homem que tirou a camisa e ficou só de moletom em ato pró-Lula Em entrevista ao programa CBeebies Parenting Download, da BBC, a psicóloga educacional e infantil Sasha Hall, porém, lembra que esse tipo de situação faz parte da infância e não significa, necessariamente, que exista algo errado com a criança. Hall defendeu que os adultos ajudem os filhos a enfrentar a frustração, em vez de tentar impedir que passem por experiências desagradáveis. — Infelizmente, isso vai acontecer com todos os nossos filhos em algum momento da nossa jornada como pais. Não podemos remover todos os obstáculos, mas podemos dar a eles as habilidades necessárias para lidar com eles — afirmou. A comediante e escritora Cariad Lloyd, mãe de dois filhos, também destacou a intensidade das emoções nessa fase da vida.
— Quando são pequenos, parece o primeiro amor... tudo fica muito mais intenso, especialmente quando se trata de festas. Todo mundo acaba não sendo convidado para a festa de alguém. O que fazer quando a criança fica de fora Uma das sugestões de Hall é organizar uma atividade alternativa para o dia da comemoração. Os pais podem combinar um encontro com outro amigo ou propor algo de que o filho goste, ajudando-o a direcionar a atenção para uma experiência agradável. — Sim, aquela criança disse que você não pode ir, mas vamos encontrar outro amigo com quem você possa fazer alguma coisa — sugeriu a psicóloga. Lloyd observa que essas experiências também ajudam as crianças a compreender que a exclusão não acontece apenas com elas. Ao longo da infância, algumas festas terão convites, outras não, e os colegas passarão por situações semelhantes. — Elas serão convidadas para muitas festas e ficarão de fora de muitas outras, até que você pare de contar — disse a escritora. A experiência pode ainda ajudar a criança a reconhecer os sentimentos dos outros. Quando um colega ficar chateado por não ter sido convidado para uma comemoração, os pais podem lembrá-la de que ela já viveu uma situação parecida. — Elas voltarão para casa e dirão algo como: "Fulano ficou chateado porque não foi convidado". E você poderá responder: "Ah, lembra quando você não foi convidado para aquela festa?". Todos acabam se alternando nessa situação, então ela se torna menos dramática. Por que uma criança pode não receber um convite Hall recomenda que os pais evitem tratar a ausência de um convite como um julgamento sobre o comportamento ou a personalidade do filho. Entre crianças de cinco a sete anos, as escolhas sociais ainda estão em desenvolvimento, e a decisão de limitar uma lista de convidados pode ter diferentes motivos. — Há muitos fatores em jogo, especialmente entre crianças de cinco a sete anos. Elas são muito pequenas para terem desenvolvido qualquer ideia de que são malcomportadas. Muito provavelmente, isso não tem nada a ver com seu filho — afirmou. Lloyd lembra que as próprias condições das famílias podem influenciar o tamanho das comemorações. Restrições financeiras ou a preferência por encontros menores podem fazer com que nem todos os colegas sejam convidados. — Os pais não podem pagar por uma festa com 20 crianças, então vão fazer uma com seis, e você acabou ficando de fora. As experiências pessoais dos adultos também podem influenciar o formato das festas. Pais que tiveram poucos amigos na infância podem preferir comemorações menores, enquanto outros optam por eventos maiores por acreditar que isso ajuda os filhos a superar a timidez. Como as amizades se desenvolvem na infância As relações entre crianças mudam conforme a idade. Segundo Hall, estar perto de outras crianças não significa necessariamente que exista uma amizade consolidada. Por volta dos dois anos, elas começam a demonstrar mais interesse umas pelas outras, mas ainda é comum brincarem lado a lado sem interagir de forma consistente. Entre três e cinco anos, passam a fazer escolhas sociais mais claras e a demonstrar preferência por determinados colegas. Já entre cinco e sete anos, as amizades tendem a ganhar mais estabilidade e importância emocional. A psicóloga recomenda que os pais ofereçam tempo e oportunidades de convivência para que os filhos desenvolvam relações gradualmente, sem pressioná-los a estabelecer vínculos imediatos. Hall cita uma pesquisa sobre o tempo necessário para transformar conhecidos em amigos. De acordo com os números mencionados pela psicóloga, são necessárias entre 40 e 60 horas de convivência para que uma relação passe de conhecidos a amigos. Para chegar a uma amizade próxima, o tempo seria de aproximadamente 200 horas. — Há uma pesquisa que investigou como os adultos passam de conhecidos a amigos e concluiu que isso leva de 40 a 60 horas. Para passar de conhecido a bom amigo, são necessárias 200 horas. A ideia é que encontros pontuais não sejam suficientes, necessariamente, para criar um vínculo profundo. Levar uma criança a um espaço de recreação e fazê-la encontrar outra duas vezes não significa que as duas já tenham desenvolvido uma amizade consistente. — Portanto, não podemos presumir que, só porque vocês foram a um espaço de recreação infantil e seu filho viu aquela criança duas vezes, isso significa que podemos dizer que eles são amigos.
O Globo