Filho do último xá do Irã diz confiar na queda do regime e pede intervenção estrangeira

 

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Reza Pahlavi, filho do falecido xá do Irã — último monarca do país — declarou nesta sexta-feira (16) que confia na queda da República Islâmica diante dos protestos em curso e defendeu uma intervenção estrangeira. Ele vive exilado nos Estados Unidos desde a Revolução Islâmica de 1979, que depôs seu pai.

As manifestações no Irã seguem sob forte repressão. Segundo a BBC Persian, autoridades iranianas estão exigindo grandes somas de dinheiro para liberar os corpos de manifestantes mortos para sepultamento. De acordo com a reportagem, os corpos permanecem em necrotérios e hospitais e só são entregues às famílias mediante pagamento.

Uma família do norte do país relatou à BBC que forças de segurança cobraram cerca de US$ 7 mil pela liberação do corpo de um parente. Sem condições de pagar, os familiares disseram que foram obrigados a deixar o local.

Números imprecisos

Nesta sexta-feira, uma agência ligada à Guarda Revolucionária Islâmica — segmento das Forças Armadas do Irã — afirmou que cerca de 3 mil pessoas foram detidas durante os recentes protestos. Segundo a classificação oficial, o número inclui “indivíduos armados e agitadores” e “membros de organizações terroristas”.

Grupos de defesa dos direitos humanos, no entanto, estimam que o total de detenções chegue a cerca de 20 mil pessoas. Já o último balanço de mortes, divulgado por uma ONG que monitora a situação no país, aponta que quase 3,5 mil pessoas morreram desde o início dos protestos, no fim do ano passado.

Boa parte do território iraniano segue sem acesso à internet, segundo relatos de organizações internacionais.

Repercussão internacional

No cenário internacional, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, tenta atuar como mediador para reduzir as tensões no Oriente Médio, agravadas pelos protestos no Irã e pelas ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, às autoridades de Teerã após a morte de manifestantes.

De acordo com o governo russo, Putin conversou nesta sexta-feira com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, e pediu uma rápida redução das tensões. Ele também falou com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e apresentou propostas para reforçar a estabilidade na região.

Na quinta-feira (15), a Marinha dos Estados Unidos iniciou o deslocamento do porta-aviões Abraham Lincoln para o Golfo Pérsico. A embarcação, com capacidade para transportar cerca de 85 caças, deve chegar ao Oriente Médio na próxima semana.