Filho de Trump assina documentos que limitam sua influência em projeto de banco - QTU Questões do Universo

Filho de Trump assina documentos que limitam sua influência em projeto de banco

Fonte: Bandeira da fonte

Quando a World Liberty Financial Inc.
buscou aprovação federal para ser um banco fiduciário ("trust bank") de âmbito nacional, vários de seus investidores mais proeminentes concordaram com uma condição: eles permaneceriam, em grande parte, à margem das decisões.
Um trio de investidores da World Liberty — incluindo um dos filhos do presidente Donald Trump e um empresário com laços com a família real de Abu Dhabi — assinou os acordos em nome de suas respectivas empresas, comprometendo-se a aceitar limites à sua influência sobre a gestão do banco.
A medida, revelada em documentos relacionados à aprovação preliminar da World Liberty no final da semana passada, oferece um vislumbre inicial de como os líderes do banco estão lidando com a conexão financeira da instituição com o presidente e sua família — algo que gerou críticas de opositores devido ao potencial conflito de interesses.
O filho de Trump, Eric Trump, o também cofundador da World Liberty, Zak Folkman, e o empresário dos Emirados Hamad Khalfan Ali Matar Alshamsi assinaram os acordos — chamados de "compromissos de passividade" — prometendo não influenciar a administração do banco.
Especialistas jurídicos afirmam que os acordos se destacam no caso da World Liberty devido à combinação incomum de interesses envolvidos: a família do presidente e um investidor estrangeiro apoiando uma empresa que busca uma licença bancária federal para sua afiliada.
"Os compromissos de passividade têm sido usados, geralmente, para investidores motivados por questões financeiras que não possuem interesses estratégicos independentes no banco", disse Robert Maddox, que lidera o grupo de prática de serviços bancários e financeiros do escritório de advocacia Bradley Arant Boult Cummings.
"Utilizá-los para neutralizar o interesse de um governo estrangeiro em um banco é algo incomum."
Grandes gestoras de fundos, incluindo o Vanguard Group, emitiram promessas semelhantes de não influenciar a gestão de bancos presentes nas carteiras de seus fundos.
Em outro caso, o fundo soberano da China precisou firmar um compromisso de passividade para adquirir uma participação no Morgan Stanley.
A World Liberty afirma que os compromissos visam garantir que certas partes interessadas não exerçam influência sobre as operações de seu banco fiduciário.
“A World Liberty está buscando ativamente a regulamentação e a supervisão permanente, e não tentando evitá-las.
Tanto antes da aprovação definitiva quanto por muitos anos depois dela, a World Liberty Trust Company cooperará integralmente com a OCC — um órgão regulador federal — e cumprirá todas as demais leis e regulamentações aplicáveis”, afirmou David Wachsman, porta-voz da World Liberty Financial.
O Office of the Comptroller of the Currency (OCC) não respondeu a um pedido de comentário.
Em sua decisão de aprovação, o órgão informou que a análise do pedido ficou a cargo de sua equipe técnica de carreira, que também será responsável pela supervisão do banco.
Esses arranjos acrescentam uma camada adicional de complexidade ao pedido da World Liberty Trust Company, que obteve aprovação preliminar da OCC na semana passada, mas ainda aguarda o aval final.
Caso receba a aprovação definitiva, o banco vinculado à World Liberty teria permissão para emitir e resgatar tokens atrelados ao dólar (USD1), gerenciar suas reservas e prestar serviços de custódia de ativos digitais, em vez de operar como um banco comercial convencional.
O plano da World Liberty de conquistar espaço no sistema bancário tem atraído atenção especial, em um momento em que diversas empresas de criptomoedas buscam suas próprias licenças bancárias.
Dias antes da posse de Trump, o Wall Street Journal noticiou que a World Liberty concordou em vender uma participação de 49% para uma empresa apoiada pelo xeique Tahnoon bin Zayed — irmão do presidente dos Emirados Árabes Unidos — por meio bilhão de dólares.
Além disso, a aprovação condicional já colocou a World Liberty na mira de senadores democratas, que questionam a validade da medida.
Um grupo de democratas, incluindo a senadora de Massachusetts Elizabeth Warren, apresentou um projeto de lei que proibiria órgãos reguladores de conceder licenças bancárias a empresas pertencentes ou controladas pelo presidente ou por seus familiares diretos.
Trump e sua família possuem interesses financeiros significativos na World Liberty, empresa que está estruturando o banco afiliado.
A World Liberty afirma que eles não ocupam cargos de diretoria, conselho ou funções de funcionários na empresa.
A Casa Branca contesta a ideia de que os interesses financeiros do presidente gerem conflito de interesses ou que ele tome medidas oficiais para obter benefício financeiro próprio.
O processo de aprovação regulatória para uma licença bancária inclui uma análise minuciosa da situação financeira dos organizadores e diretores.
No caso do pedido da World Liberty, esse grupo inclui Zach Witkoff, filho do enviado presidencial Steve Witkoff; Scott Alper, executivo da empresa imobiliária da família, o Witkoff Group; e Robert Witkoff, irmão de Steve Witkoff.
“A legislação proposta pelos senadores democratas do Comitê Bancário é uma prévia do que, sem dúvida, seria um escrutínio mais rigoroso das decisões sobre concessão de licenças bancárias caso os democratas retomem o controle do Senado ou da Câmara”, disse Michele Alt, sócia do Klaros Group, empresa que assessora companhias que buscam a aprovação de licenças junto à OCC.
“As decisões da OCC serão analisadas minuciosamente tanto por potenciais requerentes quanto por aqueles que possam vir a contestar tais decisões.”
Um ponto fundamental é que a licença permitiria à World Liberty manter a custódia dos ativos que lastreiam sua criptomoeda USD1 (atrelada ao dólar), trazendo a emissão e a gestão das reservas para dentro da própria empresa.
A stablecoin possui valor de mercado próximo a US$ 4 bilhões, segundo a plataforma de monitoramento CoinGecko, figurando entre as maiores do mundo.
Ao assumir o cargo de liderança do OCC, Jonathan Gould sinalizou que a concessão de licenças para novos bancos seria uma prioridade, afastando-se da postura da administração Biden, que desestimulava pedidos de empresas do setor de criptoativos.
Além da World Liberty, as empresas de criptoativos Ripple, Paxos e Fidelity Digital Assets receberam aprovações condicionais para licenças de bancos fiduciários em 2025, enquanto a Coinbase obteve status semelhante no início deste ano.
Essa aprovação integra uma postura mais ampla de acolhimento aos ativos digitais por parte de Trump e de sua administração.
Na quarta-feira (19), Trump participou de uma reunião na Casa Branca com altos executivos de empresas de criptoativos, em um momento em que a Securities and Exchange Commission (SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA) trabalha para finalizar uma estrutura regulatória para o setor.
Eric Trump, filho de Donald Trump
Reprodução / Facebook