A revista Veja revelou nesta sexta-feira (24) que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho de Lula (PT), realizou viagens de alto padrão aos Alpes suíços e franceses entre 2024 e 2025, com custos bancados pela lobista Roberta Luchsinger. Os registros constam de material apreendido pela Polícia Federal no celular de Luchsinger e integram inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal.
Segundo a reportagem de Robson Bonin, Lulinha, sua esposa Renata Moreira e familiares se hospedaram nos primeiros meses de 2025 no Ultima, complexo de chalés privativos em Crans-Montana, nos Alpes suíços. As diárias no local ultrapassam 22 mil francos suíços (R$133 mil).
O refúgio oferece spa de mil metros quadrados, piscina externa aquecida, cinema particular, chef com experiência em cozinhas Michelin, mordomo, motorista e serviços personalizados. Fotos e vídeos mostram ainda o uso de jatos privados, instrutores exclusivos de esqui, equipamentos de neve e consumo de champanhe na neve.
Marina Mantega, filha do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, teria indicado o destino ao grupo. A estadia nos Alpes suíços foi estimada em cerca de R$1,5 milhão.
Em 2024, Luchsinger também bancou uma temporada em Courchevel, nos Alpes franceses, destino frequentado por ultra-ricos. Fontes da investigação apontam que só as viagens detalhadas na reportagem somam mais de R$ 2 milhões.
Para investigadores, o principal “produto” oferecido por Luchsinger em sua atividade de lobby era o acesso a Lulinha e aos benefícios que o filho do presidente poderia proporcionar a empresários interessados em influenciar a gestão federal. A empresária já declarou disposição de negociar delação premiada para relatar o que viu e ouviu nos últimos anos de governo.
O episódio ganha relevância política porque Lula afirmou publicamente não conhecer Luchsinger e a classificou como “pilantra”. A lobista, por sua vez, respondeu chamando o presidente de covarde, mentiroso e misógino.
Lulinha, que mantém relação antiga de amizade com a empresária — anterior ao atual mandato de Lula, segundo ela —, permanece na Espanha enquanto a PF avança nas apurações sobre possível tráfico de influência. A reportagem destaca que apenas Luchsinger sofreu buscas até o momento.
As revelações se inserem em um conjunto mais amplo de apurações da Polícia Federal sobre a relação entre Lulinha e Luchsinger, que incluem outras viagens internacionais de luxo (como à Escandinávia para ver a aurora boreal, com orçamento superior a R$ 1,8 milhão) e suspeitas de intermediação de interesses privados no governo.
O material documentado nos Alpes, segundo a Veja, contrasta com o discurso de “pai dos pobres” do presidente em plena campanha eleitoral de 2026. Veja destaca que as imagens e registros estavam “escondidos no inquérito que tramita a passos lentos no STF”.
Não há, até o momento, condenação ou indiciamento formal de Lulinha ou Luchsinger especificamente por essas viagens, que a defesa tem caracterizado como deslocamentos privados entre amigos.
Diario do poder