Filho de Ali Khamenei está 'vivo' e 'cuidando dos assuntos do Estado', diz mídia iraniana

 

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O filho do líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, está vivo e trata de assuntos de Estado. Havia uma dúvida se ele, cotado para suceder o pai, o aiatolá Ali Khamenei, morto nos ataques dos EUA no sábado (28), havia sido também morto.

As informações são da agência de notícias iraniana Mehr.

Mojtaba Khamenei, de 56 anos, é o segundo filho do líder iraniano. Ele não ocupa nenhum cargo oficial no regime, mas é considerado influente.

Muitos o consideram um potencial sucessor na liderança da República Islâmica, embora a transição de poder entre pai e filho seja malvista pelo clero xiita e, de certa forma, semelhante à odiada monarquia derrubada pela Revolução de 1979.

O momento do ataque ao Irã ocorreu por uma chance dos Estados Unidos e de Israel de matar o líder supremo, aiatolá Ali Khamenei. A informação está em uma reportagem do jornal Financial Times, que descreveu as horas anteriores e o plano de ataque.

Aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã

Wikimedia Commons

Segundo o veículo, Israel invadiu o sistema de câmeras de trânsito de Teerã para monitorar o cotidiano de figuras importantes do governo iraniano. O país descobriu como funcionava o padrão de comportamento do aiatolá e de sua equipe de segurança.

O relatório menciona ainda que Israel utilizou ferramentas de Inteligência Artificial, juntamente com algoritmos, para analisar a vasta quantidade de informações recolhidas sobre a liderança iraniana e os seus movimentos.

Além disso, houve uma confirmação para o governo israelense e americano de que Ali Khamenei estaria em sua residência no dia para uma reunião. Apesar de ter dois bunkers à disposição, ele normalmente preferia ficar em casa.

De acordo com o Financial Times, Israel atacou o complexo onde Khamenei estava sendo protegido usando mísseis Sparrow, enquanto os aviões foram posicionados durante o dia para obter um efeito surpresa, mesmo com o alto nível de alerta no Irã.

No total, 30 mísseis foram disparados contra o complexo, enquanto as torres de telefonia celular na área foram danificadas, de modo que os telefones dos agentes de segurança não conseguiam receber chamadas de alerta.

A operação incluiu inteligência de sinais, penetração na rede celular e a confirmação, por parte da fonte americana, de que a reunião estava acontecendo.

O jornal também mencionou que o planejamento da operação começou em 2001, quando o ex-primeiro-ministro Ariel Sharon ordenou à agência de inteligência de Israel que fizesse do Irã seu principal alvo.

Já o jornal New York Times destaca que Donald Trump pretendia atacar o Irã na sexta-feira (27), porém adiou devido à possibilidade de matar o aiatolá.

Trump diz que Irã queria negociar, mas foi 'tarde demais'

Presidente Donald Trump em discurso no Congresso dos EUA.

Kenny HOLSTON / POOL / AFP

Em uma publicação na sua rede social Truth Social, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que a 'defesa aérea, a Força Aérea, a Marinha e a liderança' do Irã 'desapareceram'.

Respondendo a outro usuário da plataforma que disse que os ataques dos EUA levaram ao 'nascimento da Doutrina Trump', o presidente disse que os iranianos quiseram negociar, mas era 'tarde demais'.

O enviado especial do governo Trump para o Oriente Médio, Steve Witkoff, afirmou em entrevista à Fox News que durante as negociações com o Irã, o país disse que possuía urânio enriquecido a 60% suficiente para construir 11 bombas nucleares.

De acordo com ele, os negociadores iranianos disseram 'direta e descaradamente' a Witkoff e ao genro do presidente americano Donald Trump, Jared Kushner, que controlavam 460 kg de urânio enriquecido a 60%, que poderia ser rapidamente enriquecido a 90% para a construção de bombas nucleares.

Do outro lado, o governo iraniano segue defendendo que não possui armas nucleares e que não utilizava as usinas para produções desse armamento.