Filha de Maradona diz que 'havia um plano' para controlar seu pai que 'saiu do controle'
Gianinna Maradona, uma das filhas de Diego Maradona, disse em uma entrevista a vários veÃculos de imprensa, que por trás da internação domiciliar de seu pai "havia um plano" para mantê-lo sob controle que "saiu do controle".
A equipe médica de Maradona, que faleceu aos 60 anos quando estava em internação domiciliar após uma neurocirurgia, está sendo julgada por homicÃdio com dolo eventual, ou seja, segundo a acusação, tinha consciência de que suas ações poderiam ser fatais.
No momento em que avança o julgamento pela morte de seu pai em um tribunal ao norte de Buenos Aires, Gianinna Maradona apontou contra a equipe médica e o cÃrculo pessoal do ex-astro do futebol.
— Sei que havia um plano, certamente havia um plano, e que alguém o dirigia, e certamente saiu do controle dele — disse em uma mesa redonda virtual com jornalistas nesta semana.
Gianinna, de 36 anos, ampliou sua suspeita ao representante, Ã contadora e aos assistentes particulares que gerenciavam o dia a dia do "El Diez".
— Não consigo pensar nisso (...) e dizer "o plano: queriam matá-lo", será que (o representante MatÃas) Morla queria ter a vida do meu pai nas mãos dele? Certamente. E ele fez — afirmou.
Além de Morla, Gianinna aponta o ex-secretário Maximiliano Pomargo e a contadora Vanesa Morla, a quem considera responsáveis e diz que deveriam ser indiciados neste processo, assim como estão em outro por fraude com as marcas do ex-jogador.
Para a acusação, que se concentra exclusivamente na equipe médica, argumenta que Maradona foi vÃtima de um "grupo de amadores" que cometeu negligência criminosa durante uma "hospitalização cruel". Os réus, embora empreguem estratégias diferentes, se dizem inocentes.
— Para mim, todos são responsáveis, alguns em maior grau que outros — disse Gianinna sobre os sete profissionais de saúde, liderados pelo neurocirurgião Leopoldo Luque e pela psiquiatra Agustina Cosachov, correm o risco de pegar até 25 anos de prisão.
O julgamento em San Isidro, iniciado em abril, é a segunda tentativa de esclarecer a morte do Ãdolo argentino, após a anulação do primeiro porque uma juÃza participava de um documentário clandestino sobre o processo.
No debate, questiona-se tanto a pertinência quanto as condições da internação domiciliar do astro, que morreu de uma parada cardiorrespiratória e um edema pulmonar em 25 de novembro de 2020. Uma oitava acusada — uma enfermeira — será julgada à parte por jurados.
Plano de fundo
Para Gianinna, por trás de cada decisão médica havia um cálculo econômico.
—Havia um plano de fundo (...) e alguém o dirigia. Todos tinham uma diretriz (instrução) e todos seguiam algo — disse.
O objetivo, segundo ela, era manter o controle sobre o ex-jogador para garantir a assinatura de contratos e a gestão de suas marcas.
Após a operação por um hematoma subdural em 3 de novembro de 2020, familiares, próximos e equipe médica avaliaram como mantê-lo afastado do álcool e dos psicofármacos.
Para esse fim, Luque e Cosachov sugeriram que uma internação domiciliar seria melhor do que uma internação compulsória em uma instituição psiquiátrica.
— Não lhes convinha internar meu pai num hospital psiquiátrico, porque Morla teria muitos problemas — denunciou Gianinna. — Pensavam o tempo todo na parte econômica, sem pensar na saúde do meu pai, e por isso era (mantida) a internação domiciliar.
A famÃlia concordou, disse Gianinna, porque na época acreditou que era em benefÃcio de seu pai.
Luque, considera Gianinna, tinha instruções precisas:
— Ele tinha que (...) nos convencer da internação domiciliar para não perder o controle — disse ela.
Médico de referência
—Além do que Luque queira impor hoje, de que não era médico dele, ele ali se responsabilizou, era a voz predominante, o médico de referência dele — afirmou Gianinna.
Em quase todas as audiências do novo julgamento, o neurocirurgião que pediu para depor enfatizou que visitava Maradona como "amigo" e não como médico clÃnico, e que sua função se limitou a conseguir especialistas e retirar os pontos da cirurgia.
A filha do Ãdolo diz ter percebido sinais da deterioração fÃsica de seu pai que ninguém atendeu.
— Ele estava inchado, e eu avisei que estava inchado. Explicaram-me que era normal, que era por estar deitado — explica.
Os áudios vazados dos médicos, que ela classificou como "repulsivos" e "assustadores", mostram que enquanto ela se preocupava, eles planejavam como "se proteger legalmente".
— Não entra na minha cabeça —disse Gianinna.
