Fila para atendimento na saúde pública de São Paulo vira prioridade tanto de Tarcísio quanto de Haddad na campanha

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

A fila para consultas, exames e cirurgias é um dos principais gargalos da saúde pública de São Paulo e tema da disputa entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro Fernando Haddad (PT). Enquanto o candidato à reeleição aposta no aumento do financiamento aos hospitais e na expansão de serviços digitais, o petista promete reorganizar a regulação, integrar os equipamentos e tornar pública a posição de cada paciente na fila. Mas o estado enfrenta dificuldades para definir com exatição a demanda por atendimento especializado. Após crítica de times, Lula volta a defender fim das bets: 'Temos que acabar com a pouca vergonha do futebol' Datafolha: Desconfiança no STF bate recorde, e metade dos eleitores diz que crise influenciará voto para presidente Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o Programa Agora Tem Especialistas (Pate), do Ministério da Saúde, divulgada em junho, apontou que em São Paulo, apenas 11,2% dos municípios usam plataformas federais de regulação. Isso dificulta a consolidação de informações. A auditoria mostrou que São Paulo está entre os estados com maior crescimento nas filas de cirurgias eletivas do país nos últimos anos: a alta foi superior a 300% entre 2023 e 2025, um dos piores desempenhos do Brasil no período, ao lado do Rio de Janeiro e de Rondônia. A dificuldade de dimensionar a demanda ajuda a explicar a ênfase dos dois candidatos em propostas para organizar o acesso à saúde. Haddad promete que, já no primeiro ano, o paciente poderá consultar pelo CPF sua posição e o tempo estimado de espera para consultas e cirurgias. A proposta também prevê estabelecer prioridades de acordo com critérios clínicos e comunicar os agendamentos pelo Meu SUS Digital. O petista defende a integração dos equipamentos de saúde e a ampliação do uso de telessaúde, carretas e serviços privados complementares para aumentar a oferta. Complemento ao SUS Tarcísio transformou o aumento do financiamento aos hospitais em uma das principais marcas de sua política para o setor. A Tabela SUS Paulista, criada em 2024, complementa os valores pagos pelo governo federal por procedimentos realizados. Segundo o governo paulista, o modelo pode elevar o pagamento de determinados procedimentos para até cinco vezes além do valor da tabela nacional. A aposta do governador é aumentar a produção onde há maior pressão sobre o sistema. Segundo balanço da Secretaria Estadual da Saúde, a realização de procedimentos clínicos e diagnósticos cresceu em 2025, assim como a produção de urgência e emergência ambulatorial. As internações aumentaram 9,05% em 2025 em relação a 2023. A Tabela SUS Paulista também ganhou uma versão para os hospitais municipais. Decreto de maio prevê R$ 760 milhões por ano para complementar o custeio de unidades municipais em 77 cidades, com expectativa de beneficiar cerca de cem hospitais. O efeito sobre as filas, entretanto, é mais difícil de medir. O governo estadual reconhece que a ampliação da oferta precisa ser acompanhada de mudanças na regulação. O Sistema Informatizado de Regulação de São Paulo (Siresp) organiza fluxos de atendimento ambulatorial, urgência e leitos. A gestão Tarcísio também ampliou ferramentas digitais. O programa AME+ Digital, por exemplo, prevê consultas por de atendimento híbrido e tem potencial, segundo o governo, para alcançar cerca de 4 milhões de pessoas. Para o sanitarista Gonzalo Vecina Neto, professor da Faculdade de Saúde Pública da USP e da FGV, o principal problema no estado é o acesso à atenção especializada e a falta de integração entre as redes municipais e estadual. — O problema mais importante em São Paulo e no Brasil é o de acesso à medicina mais complexa. O que a gente chama de acesso ao secundário e ao terciário — disse o sanitarista, que reconhece a validade da Tabela SUS Paulista. — É uma solução para um problema real, que é aumentar o valor pago por consulta, internação. Vecina também chama atenção para outra fonte de desinformação sobre a fila de pacientes: o absenteísmo. Pessoas que aguardam meses por uma consulta ou exame podem encontrar outra solução e deixar de comparecer, o que dificulta saber qual é o número real de pacientes à espera de atendimento. — Você só saberá qual é o tamanho a dar para a oferta com uma condição melhor de saber qual é a demanda — ponderou. O médico Jean Gorinchteyn, que foi secretário de Saúde do governo João Doria, acrescenta outro componente à equação: o envelhecimento da população e o avanço das doenças crônicas. Para Gorinchtey, mesmo uma gestão mais eficiente das filas não elimina a necessidade de ampliar a capacidade de atendimento. — Você pode até diminuir filas e diminuir a vazão dessas filas, mas nunca você as termina. E à medida que você faz uma saúde de qualidade, isso também passa a ser um atrativo para pessoas de outros estados serem trazidas para tratamento. Isso vira um grande desafio assistencial — alerta. Gorytchein defende o fortalecimento da atenção básica, com vacinação, acompanhamento das famílias e diagnóstico precoce, para evitar que doenças evoluam para quadros que exijam tratamentos mais complexos: — É cada vez mais importante esse olhar, com o apoio aos municípios, os programas da Saúde da Família e Comunidade, do programa de vacinação — diz o médico, que recomenda a ampliação das teleconsultas em regiões com dificuldade de acesso a especialistas. Na avaliação de Gorytchein, as duas estratégias apresentadas pelos candidatos — Tabela SUS Paulista e integração dos dados — podem atuar sobre partes diferentes do problema. Mas o médico defende uma fila permanentemente atualizada, com número de pacientes, tipo de procedimento e tempo de espera, e recorrer à rede privada quando a capacidade pública não for suficiente. — É fundamental uma quantificação real em cada uma das filas. Qual é o número de pacientes que precisam de ressonância? O número de pacientes que precisam de cada uma das cirurgias? O número de pacientes que esperam por especialista? — questionou. Para o ex-secretário, a digitalização precisa conectar hospitais, municípios e governo estadual e permitir que pacientes sejam enviados regiões com capacidade disponível.

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