Fifa ainda não recebeu comunicado oficial da retirada da seleção do Irã da Copa do Mundo de 2026
Apesar das declarações do Ministério do Esporte do Irã afirmando que a seleção do país não vai disputar a Copa do Mundo de 2026, sediada nos Estados Unidos, Canadá e México, a Fifa ainda não recebeu nenhum comunicado oficial do governo iraniano sobre a retirada da equipe do Mundial, que começará em junho.
Qualquer anúncio da entidade depende da formalização da federação de futebol do país. Nesta quarta-feira, o ministro do Esporte do país, Ahmad Doyanmali, que afirmou que o atual contexto de guerra torna impossível a participação da equipe no torneio.
— Dado que este governo corrupto assassinou nosso líder, não há condições sob as quais possamos participar da Copa do Mundo — declarou o ministro, de acordo com o jornal espanhol Sport.
A declaração do governo iraniano vai de encontro à publicação feita pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, na noite de terça-feira, após reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para alinhar os preparativos do Mundial. Ele discutiu a situação atual do Irã com Trump, que afirmou que a seleção iraniana é bem-vinda ao país para disputar o torneio.
— Falamos sobre a situação atual no Irã e sobre o fato de que a seleção iraniana se classificou para participar da Copa do Mundo de 2026. Durante as conversas, o presidente Trump reiterou que a equipe iraniana é, naturalmente, bem-vinda para competir no torneio nos Estados Unidos. Todos nós precisamos de um evento como a Copa do Mundo da Fifa para reunir as pessoas agora mais do que nunca, e agradeço sinceramente ao presidente dos Estados Unidos por seu apoio, pois isso mostra mais uma vez que o futebol une o mundo — disse Infantino em suas redes sociais.
O que acontece com o Irã fora da Copa
No sorteio realizado em dezembro de 2025, o Irã ficou no Grupo G, ao lado da Nova Zelândia, Bélgica e Egito. A seleção tem dois jogos marcados no SoFi Stadium, em Inglewood, na Califórnia, contra Nova Zelândia e Bélgica, respectivamente. A última partida da primeira fase será diante do Egito, no Lumen Field, em Seattle. O país já disputou seis Copas do Mundo, incluindo as três últimas edições (Brasil, Rússia e Catar) e garantiu vaga nas eliminatórias asiáticas.
Existe, inclusive, a possibilidade de a seleção iraniana enfrentar os EUA em Arlington, Texas, caso ambas terminem em segundo lugar em seus respectivos grupos. Em 2022, a seleção americana venceu o Irã por 1 a 0, no Catar.
A Fifa terá autonomia para decidir como reorganizar o torneio. Com isso, a entidade pode tanto manter o grupo do Irã com apenas três seleções — o que significaria menos partidas e ainda comprometeria acordos de transmissão — quanto convidar outro país para ocupar a vaga deixada pela equipe asiática.
O mais provável, porém, seria substituir o Irã por outra seleção. Contudo, definir um substituto não é tarefa das mais simples. Nas eliminatórias asiáticas, o Irã liderou o Grupo A e garantiu vaga direta. Em uma fase posterior, Arábia Saudita e Catar também se classificaram, enquanto Emirados Árabes Unidos e Iraque foram para a repescagem. O Iraque venceu o confronto em dois jogos, em novembro, e confirmou sua vaga nos playoffs intercontinentais da Fifa. A seleção enfrentará o vencedor do duelo entre Bolívia e Suriname no final do mês, no México.
Caso o Iraque se classifique — é o favorito —, os Emirados Árabes Unidos seriam o próximo candidato asiático disponível. No entanto, a Fifa poderia optar por uma equipe eliminada nos playoffs intercontinentais fora da Ásia.
Com a saída da seleção iraniana da Copa do Mundo, o regulamento da Fifa indica que caso uma equipe desista da competição, ela será multada em pelo menos 250 mil francos suíços, cerca de 275 mil dólares (R$ 1,4 milhão). caso o Irã desista mais de 30 dias antes da abertura do torneio, marcada para 11 de junho de 2026. Se a desistência ocorrer dentro dos 30 dias que antecedem a competição, a multa sobe para cerca de 550 mil dólares (R$ 2,8 milhões).
