Pesquisa realizada pelo Iser em parceria com a Quaest indica que a parcela evangélica da população se mantém em expansão, com um recuo do percentual de católicos. Os dados, coletados a partir de 15 mil entrevistas em todo o país, mostram que jovens, negros e moradores da região Norte são os três grupos nos quais a fatia evangélica mais se aproxima da de católicos. Por outro lado, o catolicismo abre maior vantagem entre os idosos, brancos e moradores do Sul e Nordeste. Artigo: A questão não é se os evangélicos irão ultrapassar os católicos, mas sim quando Entrevista: 'Evangélicos não passarão de 35% da população', diz sociólogo crítico da tese de transição religiosa no Brasil Os dados começam a ser divulgados neste domingo pelo GLOBO, no primeiro capítulo da série de reportagens “Fiel da balança”, que vai abordar as mudanças religiosas no país e seus impactos nas eleições e nos hábitos dos brasileiros. Religião por segmento Editoria de Arte O levantamento apontou que 50% dos entrevistados são católicos, 29% são evangélicos e 14% se disseram sem religião. No Censo de 2022, os católicos eram 57%, e os evangélicos, 27%. Embora as pesquisas não sejam diretamente comparáveis, por terem metodologias distintas, os dados coletados pelo Iser e pela Quaest indicam uma continuidade da transição religiosa que o Censo captou nas últimas décadas. Desde a década de 1990, quando a rodada censitária captou 83% de católicos e 9% de evangélicos no país, os dois percentuais vêm gradativamente ficando mais próximos. Contrastes Segundo a pesquisa, 39% dos entrevistados que têm 16 a 34 anos de idade se dizem católicos, enquanto 33% afirmam ser evangélicos. A diferença, de apenas seis pontos, é a mais curta entre todos os segmentos da pesquisa. No caso da população autodeclarada preta, 43% são católicos e 31%, evangélicos. E na região Norte, 46% são católicos, enquanto 39% são evangélicos. Entre os entrevistados com 60 anos ou mais, por outro lado, 65% se declaram católicos, quase o triplo dos 22% evangélicos — a maior distância entre os dois grupos na pesquisa. Os católicos representam ainda cerca do dobro dos evangélicos na população autodeclarada branca (51% a 26%), na região Nordeste (56% a 25%) e no Sul do país (54% a 27%). Em comparação aos evangélicos, a presença católica é mais significativa, segundo a pesquisa, no estrato mais pobre da população. Ainda assim, o percentual de evangélicos nesse segmento também é superior ao registrado em outras faixas de renda. À medida que aumenta a renda dos entrevistados, por outro lado, há uma tendência maior de se identificarem como “sem religião”: eles são 17,5% dos que recebem mais de cinco salários mínimos, um dos maiores índices medidos. A parcela dos sem religião também tende a ser maior do que a média nacional entre os mais jovens (19,1%). A pesquisa dividiu ainda os grupos religiosos em subgrupos. No caso dos católicos, que são 50% da população, 31% são “praticantes”, e 19% “não praticantes”. Entre os evangélicos, os pentecostais são maioria (21%), e os protestantes somam 5%. No recorte por gênero, as mulheres têm maior presença no campo evangélico do que os homens. O cruzamento de dados indica nuances regionais: entre os pentecostais, por exemplo, as mulheres representam 58% no Nordeste e quase 60% no Sudeste, ante 54% no Norte e 52% no Sul.
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'Fiel da balança': jovens, negros e região Norte são os que mais se convertem à religião evangélica
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