O Museu Lucas de Arte Narrativa abrirá ao público em 22 de setembro, em Los Angeles, com uma proposta incomum para uma instituição dedicada às artes: colocar quadrinhos, ilustrações comerciais, arte infantil e pintura folclórica no mesmo patamar de obras tradicionalmente consagradas pela história da arte.
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Criado por George Lucas após a venda da Lucasfilm para a Disney, em 2012, o museu ocupará cerca de 9,3 mil metros quadrados de galerias e reunirá principalmente obras das coleções pessoais do cineasta de 82 anos e de sua mulher, a empresária Mellody Hobson.
Embora “Star Wars” seja uma das principais atrações, a franquia representa apenas 7% do museu, segundo a diretora executiva Tracey Bates.
Segundo a Associated Press, a exposição inaugural, “Star Wars in Motion”, terá, entre outras peças, versões de produção do landspeeder de Luke Skywalker e de veículos usados em “O Retorno de Jedi”.
Arte para contar histórias
A maior parte do acervo é dedicada a artistas que, durante décadas, ficaram à margem do circuito tradicional.
Entre eles estão Norman Rockwell e Maxfield Parrish, cujas obras ganham salas centrais na instituição.
Segundo Bates, Rockwell deve ser visto como um dos grandes narradores visuais de sua época.
A galeria do artista inclui “O Problema com o Qual Todos Vivemos”, pintura que retrata Ruby Bridges, menina negra de seis anos escoltada por policiais ao entrar, em 1960, em uma escola de Nova Orleans antes destinada apenas a estudantes brancos.
O curador-chefe Ryan Linkof disse à AP que a organização das galerias prioriza as narrativas presentes nas obras, e não divisões rígidas por períodos ou estilos.
Essa lógica permite reunir no mesmo museu trabalhos de Frida Kahlo, Diego Rivera e Andy Warhol, além de quadrinhos, mangás, animes e ilustrações de fantasia.
Projetado pelo arquiteto chinês Ma Yansong, o edifício começou a ser construído há oito anos no Exposition Park, próximo à Universidade do Sul da Califórnia, onde Lucas estudou.
Com formato que remete a uma nave espacial, a construção foi concebida para parecer, nas palavras do próprio arquiteto, “como uma nuvem ou o topo de uma árvore flutuando acima de você”.
Entre os destaques estão ainda desenhos de “Flash Gordon” e “Buck Rogers”, considerados referências para o universo de “Star Wars”, além de obras ligadas ao imaginário infantil, à ficção científica e à cultura pop — o núcleo que deu origem à coleção de Lucas e, agora, a um museu dedicado a defender a narrativa como uma forma de arte.
