FGC responde ao governo do DF e cobra mais documentos do BRB para seguir com análise de empréstimo

 

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O presidente do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), Daniel Lima, cobrou mais documentos do BRB para seguir com a análise do pedido de empréstimo realizado pelo controlador do banco, o governo do Distrito Federal. Na semana passada, o então governador, Ibaneis Rocha (MDB), enviou um ofício para o fundo solicitando uma linha de suporte financeiro no valor de R$ 4 bilhões para fortalecer o capital da instituição estatal após o rombo causado pelas operações com o Banco Master. Até o momento não há nenhuma definição se o pedido será aceito ou não.

Em ofício datado desta segunda-feira, obtido pelo GLOBO, Lima informou que o FGC prestou esclarecimentos ao BRB sobre a etapa prévia aos procedimentos internos de análise de pedidos de operações de assistência às associadas após ser procurado por um funcionário da Superintendência de Operações Financeiras do BRB no último dia 24 - mesmo dia em que Ibaneis formalizou a solicitação de empréstimo.

Nesse sentido, Lima disse que o fundo está "à disposição para processar a análise do pedido" do governo do DF "caso o BRB venha manifestar interesse em avançar em tal direção". O presidente da entidade disse que isso depende de formalização de requerimento ao FGC, acompanhado dos documentos e informações exigidos tradicionalmente pelo fundo.

"Já em contato com o Sr. Wily da Silva Leão, o FGC prestou-lhe orientações quanto a etapa prévia aos procedimentos internos de análise de pleitos de operação de assistência a associadas, e está à disposição para processar a análise do pleito, caso o BRB venha manifestar interesse em avançar em tal direção, mediante formalização de requerimento próprio ao FGC, acompanhado dos documentos e informações habitualmente exigidos pelo FGC", diz o texto.

Pessoas com conhecimento no assunto dizem que a manifestação de Lima se refere à solicitação de documentos extras que são necessários para seguir com a análise da operação. São necessárias, por exemplo, mais informações sobre as medidas em curso dentro do banco, já que há informações de que o BRB tem vendido ativos para melhorar os índices de liquidez. No próprio ofício do governo do DF, Ibaneis se comprometeu a enviar outros documentos, como plano de negócios, de capital e medidas internas em curso.

Depois que o banco efetivamente enviar, é que a avaliação interna do pedido de empréstimo começará, passando pelo conselho e pela área econômica da instituição. Embora a linha de assistência esteja prevista no estatuto, o caso do BRB é mais delicado devido ao envolvimento com o Master, que já causou um prejuízo de mais de R$ 50 bilhões ao fundo. O próprio Master obteve um suporte financeiro do FGC.

Agora, então, o fundo está fazendo uma avaliação bastante minuciosa e cautelosa e não tem prazo para terminar a análise.

O empréstimo ao FGC é uma das alternativas do BRB para tentar fechar o rombo causado pelas operações com o Master. Pelas contas do BC no fim do ano passado, era estimado um buraco de ao menos R$ 5 bilhões. Já o presidente do BRB, Nelson de Souza, afirmou em fevereiro que o banco estimava uma necessidade de reserva de recursos para fazer frente a possíveis perdas de R$ 8,8 bilhões e um aporte do controlador, o governo do DF, de R$ 6,6 bilhões.

Em tese, o banco tinha até esta terça-feira para apresentar o plano de ação para o BC junto com o balanço de 2025, mas isso não deve acontecer. É esperado que o regulador chame a cúpula da instituição para cobrar as providências planejadas no próximo dia, caso se configure mesmo o descumprimento.