Festival na periferia do DF traz hip hop contra escala 6x1

 

Fonte: Bandeira



“Tô dentro do busão às quatro da manhã. E amanhã é a mesma fita, o dia se repete, o looping é infinito. Já não reparo quando o dia tá feio ou bonito”.


MC Aline participa do Festival Quebradas na periferia do DF - Foto divulgação


Os versos são da MC Aline, nome artístico da rapper brasiliense Aline Florêncio da Silva, de 27 anos. A poesia, segundo ela, busca traduzir os “corres” das trabalhadoras das periferias, esperançosas pelo fim da escala 6x1, e também com mensagens de enfrentamento à violência contra as mulheres


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“Nós, mulheres do hip hop, passamos por muitas dificuldades desde sempre. Então a temática do feminismo tem que ser abordada”, afirmou.


A rapper defende que a arte pode sensibilizar as pessoas sobre temas relacionados aos direitos sociais.


Proposta educativa


A organizadora do evento, Ravena Carmo, de 36 anos, professora, poeta e pesquisadora dos temas das “quebradas”, diz esperar que o festival atenda a uma proposta educativa com entregas às comunidades. É a terceira edição do evento.


Os temas sobre direitos e do enfrentamento à violência contra a mulher têm, segundo ela, espaço fundamental no evento. 


Na programação, oficinas de grafite, e de escrita criativa, inclusive com atividades também voltadas para crianças de forma gratuita. O evento também vai apresentar um livro de poesias contra o feminicídio, com trabalhos enviados pela própria comunidade.


“Esse é um lançamento muito especial porque vamos contar com a presença da professora Vera Eunice de Jesus. filha da escritora Carolina Maria de Jesus”, comentou.


Vai ser lançada também a revista Saúde nas Quebradas, feita com o apoio da Fiocruz e tratando sobre temas relacionados às periferias. “Foi feita a partir da educação popular de forma colaborativa com temas relacionados à saúde mental, principalmente da juventude periférica”, diz Ravena Carmo.  


O evento vai ter ainda a Batalha das Gurias, com propostas para rimar em diversos temas. O evento será na praça da pista de skate, o Half, da comunidade do Jardim Roriz. “O festival não é apenas um evento de entretenimento, mas um manifesto de resistência”, diz a organizadora.