Festival de Curitiba tem 'aula-show' de Milton Cunha sobre o carnaval e estreia de monólogo de Walter Casagrande; veja programação

 

Fonte:


Ô abram alas que o Festival de Curitiba vai começar. A maior festa do teatro brasileiro inicia nesta terça (31) sua 34ª edição com mais de 300 atrações distribuídas nos principais palcos da capital paranaense, até 12 de abril.

E o festival começa num pique mesopotâmico. Embaixador informal do carnaval, é Milton Cunha quem dá a largada. Como um verdadeiro professor, ele reapresenta nesta terça, na Ópera de Arame, às 20h30, a peça “Samba, as escolas e suas narrativas” (a estreia foi na segunda, para convidados). Descrito como uma “aula-show”, o espetáculo reúne 45 componentes de diversas agremiações do Grupo Especial do Rio de Janeiro, entre elas Beija-Flor, Portela, Viradouro, Mangueira e Tuiuti, para desmembrar de maneira didática a dinâmica dos desfiles na Avenida. A função do casal de mestre-sala e porta-bandeira, a importância das baianas, das passistas, a mística dos carros alegóricos, está tudo ali, no aulão do professor Milton. Tudo na companhia de uma bateria armada especialmente para a peça, sob a batuta de Mestre Ciça, o lendário mestre de bateria que foi homenageado neste último carnaval pela Viradouro, a escola de Niterói que se sagrou campeã.

— Como que um festival há 34 anos vai conseguir mexer com as estruturas da sociedade, do pensamento e sobre teatro? Teatro é uma arte popular — disse Milton Cunha na coletiva de imprensa organizada na segunda (30), no Centro de Curitiba. — De dez anos pra cá, o festival começa a se antenar nessa tendência modernérrima de encontrar o teatro dialogando com outras vertentes. Quando eles trazem os bois de Parintins (homenagem do festival em 2024) eles já estão apontando para estruturas dramáticas populares que dialogam com o teatro, mas não são a estrutura narrativa do teatro. Essa (o desfile de carnaval) foi uma narrativa inventada aqui e que só existe aqui, inventada pelo povo periférico pós abolição.

Monólogo do Casão e outras atrações

Walter Casagrande estreia 'Na marca do pênalti', monólogo em que narra sua trajetória

Divulgação

Com curadoria de Daniele Sampaio, Giovana Soar e Patrick Pessoa, a Mostra Lucia Camargo, principal recorte da programação, traz outras 28 peças, como “Motociclista no globo da morte”, com texto de Leonardo Netto e direção de Rodrigo Portella (4 e 5/4, no Teatro Paiol); “(Um) Ensaio sobre a cegueira”, do Grupo Galpão (31/3 e 1/4, no Guairinha); e “Mulher em fuga”, adaptação de Pedro Kosovski para a obra de Édouard Louis, com direção de Inez Viana (11 e 12/4, no Guairinha). Há, ainda, estreias cercadas de expectativas, como “Na marca do pênalti”, monólogo de Walter Casa Grande (3 e 4/4, no Guaíra), e “Histórias de teatro e circo”, que comemora os 50 anos do Grupo Carroça de Mamulengo, de Juazeiro do Norte, considerado Patrimônio Popular Brasileiro (1 e 2/4, no Teatro Bom Jesus).

A organização do festival espera repetir o público de 200 mil pessoas alcançado na edição passada. Cerca de 80% dos ingressos já foram vendidos.

— Abrir o Festival de Curitiba com o carnaval é afirmar a força da nossa cultura como encontro e celebração coletiva — diz Fabíula Passini, diretora do festival. — O carnaval mobiliza a cidade e aproxima as pessoas e o teatro também faz isso! Essa conexão amplia o alcance do festival, mistura linguagens e públicos e já inicia a programação com uma energia de diversidade, pertencimento e ocupação viva da cidade.

A programação completa do evento está no site festivaldecuritiba.com.br

* O repórter viajou a convite do Festival de Curitiba