Festivais Comida di Buteco e Favela Gastronômica agitam Zona Norte

 

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A partir da próxima sexta-feira, a Zona Norte entra no mapa dos grandes encontros gastronômicos da cidade, com eventos que ocupam ruas, bares e praças e convidam o público a circular por diferentes sabores e endereços. De sexta-feira (10) a 10 de maio, o Comida di Buteco mobiliza mais de 150 bares em diferentes regiões. Sábado e domingo que vem, das 11h às 21h, o Festival Favela Gastronômica ocupa a Praça de Inhaúma com chefs de várias favelas e shows, com entrada gratuita.

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Comida di Buteco

A maratona gastronômica começa pelo circuito dos botecos, que chega à 19ª edição mantendo a proposta de valorizar a cozinha de raiz e os pequenos negócios familiares. Criado em 2000, o Comida di Buteco é um concurso que mobiliza público e jurados na escolha dos melhores estabelecimentos. O valor do petisco é nivelado em R$ 40.

Com voto popular e de jurados, é eleito o melhor boteco da cidade. Público e especialistas visitam os estabelecimentos e dão notas de 1 a 10 em critérios como atendimento, temperatura da bebida, higiene e, principalmente, o petisco, responsável por 70% da avaliação. As demais categorias têm peso de 10% cada, e o resultado final considera metade das notas do público e metade das dos jurados.

Tibis. Campeão de 2025, Evandro Macedo apresentará seu frango defumado no Favela Gastronômica

Divulgação/Hector Santos

Este ano, o tema das receitas são as verduras, exploradas de diferentes formas nos pratos criados para a disputa. Ao longo de um mês, o evento transforma a cidade em um roteiro gastronômico descentralizado, com forte presença na Zona Norte, que concentra boa parte das casas participantes.

Entre os bares da região estão nomes como Bar do Mozoca, no Méier; Cachambeer, no Cachambi; Boteco Boca Miúda, também no Méier; Galeto na Brasa, no Rio Comprido; e Reginaldo’s Bar, em Olaria, além de estreantes como o Braseiro do Roque, na Vila da Penha; e o Bar do Luisinho, no Encantado.

Diretor de operações do concurso, Filipe Tosta destaca que a descentralização é um dos pilares do projeto:

— O Comida sempre valorizou a descentralização, levando bares para várias regiões da cidade. Isso dá luz a novas histórias. A Zona Norte se apropriou muito bem disso e abraçou essa oportunidade de se destacar.

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De acordo com ele, o impacto vai além do circuito e pode ser percebido nas trajetórias dos próprios estabelecimentos.

— Temos vários botecos da região que já foram campeões nacionais. Fica o convite para o público visitar, descobrir o antes e o depois desses lugares, ouvir boas histórias, comer um bom petisco, tomar uma cerveja gelada e brindar à vida. É isso que o boteco nos convida a fazer — ressalta.

O movimento também se reflete na forma como o público ocupa os espaços, criando roteiros coletivos pela cidade.

— Se eu tivesse que resumir o clima, seria um grupo de amigos andando a pé e visitando vários bares. Como se a Zona Norte fosse um novo calçadão do Rio — diz Tosta.

O concurso é realizado em duas etapas. Após a escolha dos vencedores em cada circuito, um novo corpo de jurados avalia os campeões locais para eleger o Melhor Buteco do Brasil, anunciado em cerimônia nacional.

Favela Gastronômica

Enquanto isso, em Inhaúma, a gastronomia ganha um formato concentrado, mas igualmente diverso. Em sua terceira edição, o Festival Favela Gastronômica reúne 25 chefs de dez favelas do Rio, ampliando o alcance da iniciativa e consolidando o evento no calendário cultural da cidade.

Idealizador do projeto, Rene Silva atribui o crescimento à identidade do evento.

— O festival tem esse crescimento por conta da autenticidade. Os protagonistas são os chefs e empreendedores da favela. Não tinha um evento como esse na cidade — diz.

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A ampliação do número de participantes é um dos destaques de 2026.

— Este ano aumentamos o número de empreendedores e chegamos a dez favelas participantes. Não é um festival de um território só, é das favelas do Rio — afirma.

O cardápio reflete essa diversidade, com pratos que vão de clássicos como baião de dois e rabada com agrião a opções mais contemporâneas, com preços entre R$ 15 e R$ 25, mantendo a proposta acessível.

Entre os destaques desta edição está o retorno do chef Evandro Macedo, do Complexo do Alemão, campeão de 2025 com o projeto Tibis — Cozinha Afetiva. Este ano, ele apresenta um frango defumado ao estilo american barbecue, com legumes braseados e musseline de batata, em um prato que combina técnica e memória afetiva.

— Ano passado eu fui campeão com um nhoque sem glúten com ragu de linguiça toscana. Este ano estou trazendo um prato com um pouco mais de técnica. Minha vida mudou da água para o vinho — afirma o chef, que ganhou projeção na comunidade após o título.

A programação musical inclui shows de Marquinhos Sensação, Leandro Sapucahy e bateria da Imperatriz Leopoldinense, além da tradicional cozinha show, que aproxima o público dos chefs e suas técnicas.

Neste espaço, nomes como Katia Barbosa, criadora do bolinho de feijoada; e Allan Mamede, finalista do reality “Chef de alto nível”, participam de demonstrações culinárias ao vivo.

O festival também amplia sua dinâmica de competição interna.

— Sempre tivemos o concurso para eleger o melhor prato salgado. Agora vamos premiar também a melhor sobremesa e o melhor lanche — informa Silva.

Ao longo dos dois dias, o evento contará ainda com distribuição de brindes e diversas ativações. O Favela Gastronômica é realizado pela ONG Voz das Comunidades, com patrocínio principal da prefeitura do Rio e apoio do iFood e do Atacadão.

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