Festa Portuguesa em igreja da Zona Norte reúne danças típicas e gastronomia
No Méier, a presença de imigrantes portugueses ajudou a moldar a identidade do bairro e segue viva em uma festa que atravessa gerações e agora se expande. Neste sábado (11), às 18h, a Basílica do Imaculado Coração de Maria realiza a primeira edição de 2026 da tradicional Festa Portuguesa, que pela primeira vez terá duas datas no ano. A próxima edição está prevista para 24 de outubro.
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O destaque de hoje é a apresentação do Grupo Folclórico Armando Lessa. Ainda este mês, no dia 23, a paróquia promove a feijoada de São Jorge, a partir do meio-dia, com ingresso a R$ 30.
A celebração dialoga diretamente com a formação histórica do bairro. Com forte influência lusa, o Méier se consolidou como um dos principais pontos de referência dessa cultura na Zona Norte, presente tanto na vida religiosa quanto nas manifestações culturais ligadas à paróquia.
A festa surgiu a partir da própria vivência da comunidade. A presença de portugueses e descendentes entre os paroquianos impulsionou a criação de iniciativas culturais dentro da igreja, entre elas um grupo folclórico formado por integrantes da própria paróquia. Dessas experiências nasceu a chamada Noite Portuguesa, que reunia música, dança e culinária típica e ajudou a firmar o evento no calendário local. A data mais precisa relacionada à consolidação dessa tradição é 5 de agosto de 1992. Com o tempo, mesmo após o fim do Grupo Folclórico Imaculado Coração de Maria, a celebração se manteve, incorporando novos grupos e ampliando seu alcance.
Na gastronomia, um dos pontos centrais da festa, pratos como bolinho de bacalhau, bacalhau às natas e caldo verde dividem espaço com doces tradicionais, como pastel de nata e pastel de Santa Clara, preparados com atenção à fidelidade das receitas originais. Os quitutes são vendidos a preços populares: de R$ 8 a R$ 30.
Um dos diferenciais da festa é a participação ativa dos paroquianos em sua construção. Entre eles está Clementina, a Tininha, referência na preparação dos pratos típicos. Portuguesa, ela chegou ao Brasil aos 21 anos e hoje, aos 70, mantém viva a tradição na cozinha da festa.
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— Todos me conhecem como Tininha, a portuguesa do bacalhau. Comecei esse trabalho na igreja com as minhas filhas, que dançavam no Grupo Folclórico Imaculado Coração de Maria. Desde então, nunca paramos de ajudar a paróquia. Hoje não temos mais o grupo, mas o trabalho continua, feito com amor e muita fé — conta.
Eduardo Pimentel, ex-integrante do grupo e hoje no Armando Lessa, destaca que o cuidado com a comida é um dos pilares do evento:
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— O desafio é manter a comida próxima daquilo que é de fato português e conseguir atender todo mundo. O bolinho de bacalhau, o bacalhau às natas e o caldo verde estão entre os mais procurados.
As apresentações de dança portuguesa seguem como um dos momentos mais aguardados. Com coreografias tradicionais, música ao vivo e instrumentos como sanfona e castanholas, os grupos convidados mantêm viva uma prática cultural que nasceu dentro da própria paróquia.
Entre eles, o Grupo Folclórico Armando Lessa, do Clube Português de Niterói, que, além das apresentações, promove a interação com o público.
— Algumas danças são abertas e convidam as pessoas a participar. É uma forma de viver a tradição, brincar junto e se envolver com aquilo — diz Pimentel.
Além da programação cultural e gastronômica, a festa inclui atividades tradicionais, como brincadeiras e pescaria. A organização mobiliza diretamente a comunidade: paroquianos participam de diferentes etapas, das doações à montagem das barracas, passando pela ornamentação e pelo atendimento ao público. O valor arrecadado será destinado à climatização e a uma obra no salão da igreja.
O padre Ivanil Alves, responsável pela basílica, destaca o papel da festa na valorização da cultura portuguesa no bairro e na mobilização da comunidade:
— É uma festa que enaltece a presença dos portugueses na nossa região e simboliza o nosso agradecimento a essa tradição. A expectativa é que o público aproveite as apresentações de dança, além da culinária. Com forte participação da comunidade, a Festa Portuguesa se reafirma como um espaço de encontro entre memória, identidade e convivência no Méier, mantendo vivas tradições que atravessam gerações.
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