Fernando Diniz irrita com suas escolhas e narrativas no Vasco, mas ele não é o único culpado

 

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Tida como manifestação de descontentamento ao futebol apresentado pelo time do Vasco no 0 a 0 de segunda-feira, em São Januário, as vaias ao técnico Fernando Diniz são tão aceitáveis quanto compreensíveis. Ainda que acompanhadas de uma ou outra adjetivações exageradas com as quais não concordo. Mas o que vale hoje é medir o impacto que essas reações presenciais e virtuais podem ter no ano de um time ainda em formação.

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Esse medíocre Vasco, que há mais de uma década assombra os torcedores e incapaz de ter um nível de competitividade em patamar aceitável, está sendo mais uma vez renovado. E isso demanda tempo com Guardiola, Klopp, Paiva ou Diniz. Ou alguém, em sã consciência, achou que o time, sem Rayan e Vegetti, teria o desempenho esperado em uma ou duas semanas? E em meio a um calendário que está deixando todos os treinadores em atividade por aqui em maus lençóis.

Fernando Diniz irrita com suas escolhas e narrativas, como irritou todos os antecessores no cargo, alguns que não tiveram sequer a chance de fazer mais do que 20 jogos. O atual treinador do Vasco já tem 48 e está no meio de um trabalho de reconstrução. E reconstrução não só do time: do modelo, do padrão, identidade, dignidade, e da empatia… E tudo isso sem dinheiro e um executivo a escorá-lo nos momentos mais difíceis.

E sem um goleador que vista a capa de super-herói e disfarce o mau desempenho do time. Ou seja: olhando para essa relação entre técnicos e torcida do Vasco, recomendo cautela. Porque a narrativa é a mesma: de um lado, a massa fiel, apaixonada e querendo ser feliz como foram os vascaínos com mais idade. Do outro, gente empenhada em entregar a cota-parte dela na missão de reerguer um dos clubes mais populares do país.

Não sei se a diretoria pensa em trocar o treinador em meio a este processo, como desejam alguns torcedores. Varrer a sujeira para debaixo do sofá serve para fingir que a casa foi arrumada. Mas não elimina os ácaros. Algo robusto precisa ser feito para evitar que o trabalho de Diniz seja triturado pela cultura do descartável. Um tropeço, amanhã à noite, em São Januário, diante da Chapecoense, exigirá uma ação mais clara do presidente Pedro Paulo.

Renato Gaúcho já manifestou o interesse em voltar a trabalhar. E as redes sociais já o elegeram o próximo ocupante do cargo.

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