Fernandin OIG: quem é o dono de bets que deu 'carona' para Hugo Motta e Ciro Nogueira em voo que gerou investigação da PF
Fernando Oliveira Lima, o Fernandin OIG, proprietário da One Internet Group, costuma compartilhar com os mais de 1 milhão de seguidores no Instagram um estilo de vida de luxo. Entre as imagens de momentos de lazer em regiões paradisíacas pelo mundo e encontros com empresários e famosos, o executivo do setor de apostas online registrou detalhes de uma viagem que acabou entrando na mira da Polícia Federal.
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Na rede social, Fernandin OIG compartilhou dados do voo que partiu da ilha caribenha de São Martinho e pousou em São Roque, no interior de São Paulo. A viagem teve, entre os passageiros, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI). A PF passou a investigar a suposta entrada irregular no país de malas que vieram no jatinho e não passaram pelo raio-x — não se sabe ainda, segundo a corporação, o que havia dentro delas e a quem pertenciam. A informação foi revelada pelo jornal Folha de S. Paulo e confirmada pelo GLOBO.
No Instagram, Fernandin postou imagens da viagem a São Martinho. As fotos incluem passeios a bordo de embarcações de luxo pelas águas azuis do Caribe, com piscina privativa, serviço de concierge e menu de frios, ostras, lagosta e lanches variados. Além disso, exibem o painel com dados como o itinerário, altitude, temperatura externa e o mapa do trajeto de volta até uma área de São Paulo.
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Meses antes, em setembro de 2024, ele postou imagens a bordo de um iate avaliado em R$ 1 bilhão na Grécia, no aniversário do cantor sertanejo Gusttavo Lima. Estavam presentes no festejo também o então governador de Goiás, Ronaldo Caiado (hoje no PSD) e a mulher dele, Gracinha, assim como o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques e outros empresários de bets.
Na ocasião, inclusive, Caiado relatou que partiu dele a determinação para que dois outros empresários do ramo de apostas — investigados na “Operação Integration”, que apura crimes relacionados a jogos de azar — deixassem o iate da festa.
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Em 2023, ele posou para fotos abraçado ao sertanejo na piscina da casa em que Gusttavo Lima mora com a família, em Goiânia. "Feriadinho", escreveu. E publicou um vídeo, um ano antes, recebendo um violão assinado pelo artista.
Em 2024, Fernandin ainda participou do leilão beneficente do Instituto Neymar Jr, que reúne celebridades, ex-atletas e artistas numa disputa por artigos de luxo. O empresário piauiense arrematou, na ocasião, uma chuteira do craque banhada a ouro 18 quilates, por R$ 1,4 milhão.
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Paulo Storch
Os registros de Fernandin no Instagram incluem ainda idas à final da Liga dos Campeões de 2025, entre Paris Saint-Germain e Inter de Milão, e passeios em carros de luxo, helicópteros e jet skis. As postagens de viagens incluem idas a destinos como Maldivas, Dubai, Miami e Alpes Franceses.
No ano passado, a PF já havia pedido autorização ao STF para para investigar as conexões do empresário e o senador Ciro Nogueira. Reportagem da revista Piauí publicada na época mostrou que o parlamentar viajou em um jatinho de Lima para para a França, onde acompanhou o Grande Prêmio de Mônaco de Fórmula 1. Além disso, a revista afirma que documentos acessados pela CPI das Bets mostram transferências de Fernandin OIG para um ex-assessor de Nogueira no valor de R$ 625 mil. Na ocasião, o senador disse que se tratava do pagamento de um relógio.
Fernandin chegou a ser alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, criada em 2024 pelo Senado, e teve seu indiciamento pedido pela relatora, senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), por exploração ilegal de jogos de azar. O relatório final da CPI, contudo, foi rejeitado pela maioria do colegiado. Procurado, o empresário não comentou.
'Drible' no raio-x
A PF diz que as imagens do aeroporto mostram que, na volta de São Martinho e após o pouso em São Roque, apenas o tripulante da aeronave passou por fora do aparelho de raio-x com as bagagens não identificadas. Os investigadores dizem, no entanto, que "não é possível afirmar categoricamente a quem os volumes pertencem ou seu conteúdo".
Volumes que não foram fiscalizados no Aeroporto Catarina e são pivô de investigação da PF
Reprodução/PF
O inquérito foi aberto em janeiro, inicialmente para apurar possíveis crimes de prevaricação e facilitação de contrabando ou descaminho pelo auditor fiscal que permitiu o desembarque das malas sem que elas passassem pelo raio-x do aeroporto. Imagens de câmera de segurança do terminal executivo, usado apenas para voos privados, mostram que um tripulante da aeronave passou pelo lado de fora do aparelho de fiscalização. Além de malas, havia sacolas e uma caixa em um carrinho usado para o transporte dos volumes.
Procurado pelo voo no jatinho do empresário que entrou na mira da PF, Motta, por sua vez, disse que "cumpriu todos os protocolos e determinações estabelecidas na legislação aduaneira" ao desembarcar. "O deputado aguardará a manifestação da Procuradoria Geral da República", diz, em nota enviada por sua assessoria. Também questionado, Nogueira não se manifestou.
Diante da presença de parlamentares com prerrogativa de foro entre os passageiros, contudo, o caso foi remetido ao Supremo Tribunal Federal (STF) há duas semanas, em 13 de abril. Além do presidente da Câmara e do senador, no voo também estavam os deputados Isnaldo Bulhões (AL), líder do MDB na Câmara, e Dr. Luizinho (RJ), líder do PP. Também questionados sobre o episódio, eles não responderam.
A decisão de enviar o caso ao STF atendeu a um pedido do Ministério Público Federal. Em manifestação no processo, o órgão de investigação afirmou que, com os elementos até o momento colhidos, "não é possível descartar a possibilidade de envolvimento de um ou mais parlamentares nos delitos sob apuração".
Designado relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes remeteu o processo à Procuradoria-Geral da República (PGR) na sexta-feira passada, dia 24, para que se manifeste em até cinco dias.
