Fernanda Vasconcellos leva Samira, de 'Três Graças', para análise e revela: 'Quando não posso ir a São Paulo ver meu filho, dá vontade de chorar'

 

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Desde que Fernanda Vasconcellos estreou na TV, em “Malhação” (2005), o tema maternidade é central em suas tramas. Na novelinha teen, já como protagonista, a atriz viveu Betina, apaixonada por um jovem que engravida a vilã da história. Comovida com a gestação, ela abre mão do amado. Um ano depois, a atriz parou o Brasil com o drama de Nanda, de “Páginas da vida”. Na ocasião, sua personagem que engravida precocemente, mas morre ao dar à luz um casal de gêmeos. A menina nasce com síndrome de Down, o que faz a avó materna das crianças assumir apenas o garoto e abandonar a neta. Já em “A vida da gente” (2011), após anos em coma, sua personagem, a tenista Ana, precisa lutar para conquistar a herdeira, que foi criada como filha da irmã da atleta. Depois de quase uma década longe das novelas, cá está Fernanda em “Três Graças” na pele de Samira, uma mulher que trafica bebês e vendeu o próprio filho, Raul (Paulo Mendes), para Arminda (Grazi Massafera).

— Às vezes tenho um choro que me alivia após fazer certas cenas. Espero uns dez minutinhos antes de sair do camarim — conta a artista, que, diferentemente das oportunidades em que viveu Betina, Nanda e Ana, agora é mãe na vida real.

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Na última terça-feira, na trama das nove, a megera roubou a filha de Joélly (Alana Cabral) e Raul — ou seja, sua neta — e a entregou para Lena (Bárbara Reis) num capítulo que alcançou o pico de busca pela novela na internet. No mesmo dia, a vilã ainda matou Jorginho Ninja (Juliano Cazarré). Para a paulistana, de 41 anos, Samira tem exigido muita introspecção:

— Mergulho na personalidade dela. E isso é um processo gradativo para o trabalho ficar mais realista. Tenho gravado sequências em que fico realizada como atriz, mas que me desafiam demais — diz, completando: — Esse é um assunto delicado (o tráfico de bebês), que acontece no mundo e precisa ser mostrado. E acho o paradoxo da Samira rico: ela acredita que, de alguma forma, está ajudando. Isso a deixa mais assustadora.

Por essas e outras, a mãe de Romeo, de 3 anos e meio, precisou levar sua terrível personagem para suas sessões de terapia, na tentativa de lidar melhor com suas dualidades. Ela conta:

— Eu sempre fiz análise, comecei depois de “A vida da gente”, que tinha um texto muito profundo sobre sentimentos. Desde então, me ajuda bastante, até para eu entender quem sou, sem que a complexidade de uma Samira me afete tanto.

Em "Três Graças", Joélly (Alana Cabral) pede que Samira (Fernanda Vasconcellos) não leve sua filha

Fábio Rocha/Rede Globo

Com a rotina de gravações no Rio de Janeiro ainda mais intensa nessa fase mais barra pesada da bandida, Fernanda precisa conviver com a saudade do filho, que ficou em São Paulo com o pai, o também ator Cássio Reis.

— Tem vezes em que eu tenho apenas um dia de folga, aí vou para São Paulo, fico com o meu filho e volto. Mas agora entendi que preciso dar uma parada para recuperar minhas energias. Estou vivendo um momento bem delicado da Samira. Então tenho que estar inteira nos dois lugares, no trabalho e com Romeo. São coisas que vou aprendendo no dia a dia da maternidade.

‘Meu tudo’

A atriz Fernanda Vasconcellos com o filho, Romeo; o marido, Cássio Reis; e os pais Adenilde e Sergio

Reprodução de Instagram

Fernanda é uma mãe babona que participa de tudo na rotina do filho. Em São Paulo, ela e o marido têm os avós da criança como rede de apoio.

— Eu choro sempre quando ele vai para a escolinha (risos). Cozinho o básico para o meu filho, já que não tenho esse talento... Mas tudo da rotina do Romeo, somos eu e Cássio que fazemos. Não temos babá. Não porque a gente não queira, mas não conseguimos achar ninguém. Não conseguimos também delegar muito... Enfim, é complicado — diz ela, relembrando: — Teve uma gravação, semanas atrás, em que, pela primeira vez, minha mãe ficou com ele para dormir e tudo. Meus pais ficaram duas noites, e Romeo adorou!

A relação da artista com a mãe, Adenilde, também é das melhores, diferentemente da vivência de algumas de suas personagens já citadas que tinham verdadeiros arranca-rabos com narcisistas interpretadas por Lilia Cabral (“Páginas da vida”) e Ana Beatriz Nogeira (“A vida da gente”).

Fernanda Vasconcellos em ensaio exclusivo para a Canal Extra

Jorge Bispo

— Minha mãe é tudo de bom. Ela é minha extensão, e eu a dela. Quando eu era adolescente, queria muito ir às festinhas, aí foi um momento mais perturbado, digamos assim. Mas hoje eu a entendo. Ela acompanha meu trabalho, com meu pai... Acho que aprendi com eles a ser babona (risos) — reflete, declarando-se a Romeo: — Ele recheou minha alma. É meu tudo. Ser mãe é muito complexo, é um momento delicado da vida da mulher. Mudei a forma de ver as coisas, os medos, as inseguranças, as alegrias, tudo fica muito latente.

Lidar com a culpa materna, por exemplo, não deixa de ser um desafio para a artista.

A atriz Fernanda Vasconcellos com o filho Romeo e o marido Cássio Reis

Reprodução/Instagram

— Eu sinto um pouquinho... Hoje (a entrevista foi feita na sexta-feira 20), por exemplo, estou de folga e não fui para São Paulo porque amanhã já gravo de novo. Aí dá uma vontade de chorar quando eu falo com o Romeo, mas me seguro para não ficar chorando na frente dele. Cássio tem mais autonomia no trabalho. Agora está produzindo e dirigindo curtas-metragens para empresas na parte de digital e também trabalha como mestre de cerimônia — explica ela sobre o marido, com quem se relaciona há 14 anos:

— A gente é muito parceiro. Ele é o meu melhor companheiro de vida. A gente tem os mesmos valores, se completa. Temos um casamento de verdade.

‘Voltar é um delícia’

Fernanda Vasconcellos em ensaio exclusivo para a Canal Extra

Jorge Bispo

A última novela que Fernanda fez antes de “Três Graças” foi em 2016 (“Haja coração”). Nesse intervalo, além de ter se dedicado ao primeiro filho, ela atuou em outros formatos, como séries, cinema e teatro.

— Eu gosto muito de novelas, senti saudade. Mas outros trabalhos me alimentaram como profissional. E não foi um movimento proposital, foi natural. Tinha um neném pequeno... Consegui estar bem. Senti falta de gravar, mas ia sentir muito mais falta do Romeo naquele momento — diz ela, afirmando: — Voltar é uma delícia! Eu me sinto livre, sabe? Brincar com o meu filho mexe muito com o meu lado criativo, mas a novela também faz isso de uma outra maneira.

Edilberto (Júlio Rocha), Samira (Fernanda Vasconcellos) e Lena (Barbara Reis) em 'Três Graças'

Fábio Rocha/Rede Globo

E o público também ficou feliz com esse retorno. Mesmo na pele de uma vilã bem malvada, a atriz tem recebido gentileza nas ruas e na web:

— As pessoas não gostam nem um pouco dela, mas me abordam com carinho pelo meu trabalho.

‘Quero é ter saúde’

Fernanda Vasconcellos em ensaio exclusivo para a Canal Extra

Jorge Bispo

Ostentando um cabelo curtinho como Samira na TV, Fernanda acabou adorando o novo visual no seu dia a dia:

— Não demorou nada para me acostumar, eu adorei esse cabelo, ele é superprático. Eu já tive cabelo curto, acho que para fazer um filme.

Quando a pergunta é se ela se acha uma mulher bonita, ela responde ser “uma pessoa saudável”. E revela seus cuidados:

— Quando eu era adolescente, aparência era uma questão. Hoje, quero é ter saúde. Tomo bastante água, faço natação... Eu gosto de fazer tratamentos na dermatologista, mas com cautela. Estimular colágeno, essas coisas... Não sou refém.

Fernanda Vasconcellos em ensaio exclusivo para a Canal Extra

Jorge Bispo

Créditos

Fotos: Jorge Bispo @jorgebispo

Beleza: Soraya Rocha @rocha_soraya

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