Fernanda Rodrigues conquista prêmio internacional duplo e reforça a importância do cinema brasileiro
O cinema brasileiro segue ampliando sua presença no circuito internacional e com protagonismo feminino. Fernanda Rodrigues e Sabrina Petraglia comemoram uma conquista especial em Barcelona, na Espanha: o curta-metragem "Mar de Mães" foi premiado no Barcelona Indie Awards 2026, levando os troféus de Melhor Curta-Metragem e Melhor Produção do Festival, os dois principais reconhecimentos da premiação.
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As atrizes estiveram na cidade para acompanhar o festival e celebrar mais um passo internacional do projeto. O encontro teve um sabor simbólico, com Sabrina chegando a Barcelona vinda de Dubai, enquanto Fernanda desembarcou de Portugal, demonstrando o alcance global que o filme vem conquistando desde o lançamento. "Mar de Mães" foi exibido nos dias 6 e 7 de fevereiro no tradicional Cinema Maldà, em sessões abertas ao público e ao júri internacional.
"Foi muito especial, algo realmente inédito. Nosso filme foi o único brasileiro entre quase três mil inscritos. A gente veio naquela energia de 'vamos juntas viajar' e acabou ganhando os dois prêmios mais importantes do festival: Melhor Curta-Metragem e Melhor Filme no geral. Foi muito surpreendente", afirma Fernanda.
Fernanda Rodrigues e Sabrina Petraglia
Divulgação
Lançado no Brasil em dezembro de 2024, o curta já passou por cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Campinas e Santos, além de exibições internacionais em Dubai e Lisboa. A produção também acumula participações e indicações em festivais ao redor do mundo, como o Feedback Female Film Festival, em Los Angeles; o Rome Prisma Film Awards, onde Cristiana Oliveira venceu como Melhor Atriz Coadjuvante; e o Sweden Film Awards, no qual foi finalista.
"Mar de Mães surgiu do meu encontro com a Thais Vilarinho, autora de 'Mãe Fora da Caixa'. Quando estava grávida do meu terceiro filho, o Léo, escrevi para ela num momento de desabafo. Estava cogitando mudar de país e morrendo de medo de não trabalhar mais. Quem vai empregar uma atriz com três filhos muito pequenos que vai mudar para Dubai?", conta Sabrina.
"O trabalho faz parte da minha individualidade, de quem sou. Para ter um relacionamento saudável com meu marido e com os meus filhos, preciso produzir. Fiquei com muito medo de estacionar a minha carreira e entendi que precisava gerar o meu próprio trabalho", diz.
A ideia inicial era desenvolver um programa, mas o projeto ganhou outra dimensão. "Eu falei: tem que ser um filme. A Thais escreveu o roteiro, mas a gente não tinha dinheiro para rodar. Então decidimos fazer um curta-metragem como cartão de visitas para depois produzir o longa", explica.
Fernanda Rodrigues e Sabrina Petraglia
Divulgação
Segundo Sabrina, o processo aconteceu em meio à mudança para os Emirados Árabes. "Estava me mudando para Dubai com três crianças muito pequenas e não consegui ajudar na captação. A Thais foi em frente, buscou patrocínios e conseguiu viabilizar o projeto. Finalmente levantamos os recursos e gravamos o curta", detalha.
O impacto, segundo ela, ultrapassou expectativas. "É um filme que fala de maneira muito franca ao coração das mães. Aqui nos Emirados, com o apoio da Embaixada do Brasil, reunimos mais de 600 mães de várias nacionalidades em uma sessão. Eu olhava aquelas mulheres se conectando, se emocionando, e chorei junto", revela.
Fernanda reflete sobre o impacto do curta e os próximos passos rumo ao longa. "Esse curta vem fazendo uma trajetória linda. A gente já ganhou vários prêmios e agora está desenvolvendo o projeto do longa, que está em negociação com plataformas de streaming", conta. "Mas, acima de tudo, estamos felizes com o caminho que o filme está fazendo. Ele fala sobre amizade entre mulheres, sobre maternidade, sobre redes de apoio. É um tema ainda pouco explorado no audiovisual, e extremamente necessário", acrescenta.
Fernand Rodrigues e Sabrina Petraglia
Divulgação
Para Sabrina, a origem do projeto traduz seu impacto. Ela explica: "Mar de Mães surge de um pedido de socorro. Socorro de uma mãe para outra mãe. A gente acreditou uma na outra. Quando mulheres se unem, a gente projeta, chega mais longe, e outras mães também se sentem tocadas."
Fernanda complementa, destacando a metáfora do mar que atravessa toda a narrativa. "Às vezes ele está calmo, às vezes vem com ondas fortes, como a vida materna. É um filme emocionante, que tem tocado mulheres e também muitos homens. Em Barcelona, vimos várias pessoas emocionadas, porque ele fala, no fundo, das relações com as mães. A mensagem é muito bonita", conclui.
