Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, ganhou projeção nacional em agosto de 2025, ao publicar um vídeo em que denunciava a exposição e a adultização de crianças e adolescentes nas redes sociais. A repercussão da produção, que ultrapassou 50 milhões de visualizações, levou o caso do influenciador Hytalo Santos ao centro do debate público e contribuiu para ampliar a discussão sobre a proteção de menores no ambiente digital. Após meses de "hiato" da internet, o influenciador retornou ao YouTube na semana do segundo turno das eleições sem endereçar temas políticos. Questionado sobre o posicionamento em março deste ano em um programa de TV, também não quis tomar lado.
Eleições 2026: Entre na comunidade do GLOBO no Whatsapp e receba conteúdos sobre a campanha, os candidatos e os principais acontecimentos da disputa Lula x Flávio: Com qual candidato a presidente você mais se identifica? Responda às perguntas e descubra quem tem a visão mais parecida com a sua A pergunta, feita no programa Roda Viva, da TV Cultura, na edição do dia 23 de março, procurava revelar a predileção política do influenciador e se ele se considerava mais conservador ou progressista. Felca afirmou que evita responder à pergunta por acreditar que uma declaração desse tipo poderia afastar parte de sua audiência. Segundo ele, a intenção é abordar questões sociais sem restringir o alcance de suas mensagens a um grupo ideológico específico. — Sabe por que eu não respondo essa pergunta? Porque se eu respondesse, metade da audiência ia embora. Exatamente por ser essa a sociedade em que a gente vive hoje. Quando eu quero falar de alguma causa, como já falei da causa das crianças, de bets, de bullying ou de suicídio, eu quero falar com todo mundo. Eu não quero escolher um lado, porque senão estaria gritando sozinho para a tribo. O influenciador também afirmou que pretende manter essa postura ao longo da carreira pública. Ao justificar a decisão, citou a polarização política e questionou a necessidade de classificar determinadas causas sociais de acordo com algum espectro ideológico. — Na minha carreira pública, pretendo continuar sempre dessa forma, querendo falar com ambos os lados. Eu fico assustado e começo a achar que a gente não tem que pensar só na sanidade mental das crianças, temos que pensar na sanidade mental dos adultos também. Afinal, em que momento a gente olhou para uma criança sendo abusada e perguntou: "Isso é esquerda ou direita?" — concluiu. Carreira na internet O influenciador, de 27 anos, nasceu em Londrina, no Paraná, e começou a produzir conteúdo digital em 2012, inicialmente como streamer de videogames. Mais tarde, ganhou espaço com vídeos de comentários e reações a conteúdos publicados por outras pessoas. A repercussão nacional veio em agosto de 2025, quando publicou o vídeo "adultização", em que criticava a sexualização de adolescentes e a exposição deles a situações que, segundo sua análise, contribuíam para a adultização infantil.
'Manipulação algorítmica': o que alega a campanha de Lula contra a Meta em acusação de favorecer Flávio Do Missão ao PSOL: siglas debatem fusões e federações para evitar restrições após não atingirem cláusula de barreira O caso mobilizou autoridades e ampliou a pressão por medidas de proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital, levando a prisões e influenciando, inclusive, na movimentação política do Congresso brasileiro, que aprovou em março deste ano o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), popularmente conhecido como Lei Felca. A legislação estabelece regras para a proteção de crianças e adolescentes na internet, incluindo obrigações para plataformas digitais. Na publicação mais recente, após meses afastado, Felca abordou o bullying sofrido durante oito anos no ambiente escolar, com episódios de exclusão, xingamentos e agressões físicas. Segundo ele, as experiências contribuíram para o desenvolvimento da fobia social, transtorno caracterizado pelo medo intenso de situações de interação social.
O não posicionamento político na semana do segundo turno das eleições gerou reações opostas nas redes. O influenciador Felipe Neto comentou: "Uma altura dessa. Num fod...". Nikolas Ferreira (PL), deputado federal mais votado no país pela segunda vez seguida, comemorou: "O que deve ter petista pu*o porque o vídeo do Felca não é sobre Bolsonaro kkkk...".
O Globo