Feijão, ervilha, grão-de-bico, lentilha são associados a menor risco de pressão alta (veja a quantidade que deve ser consumida)
Uma maior ingestão alimentar de soja e leguminosas está associada a um menor risco de hipertensão, segundo uma análise conjunta de dados disponíveis, publicada na revista de acesso aberto BMJ Nutrition Prevention & Health.
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Leguminosas e alimentos à base de soja têm sido associados a um risco menor de doenças cardiovasculares em geral, porém, as evidências sobre seu potencial para reduzir a pressão arterial elevada são contraditórias e precisam ser mais exploradas, segundo os pesquisadores.
Para o novo estudo, a equipe de pesquisa vasculhou bancos de dados em busca de estudos relevantes publicados até junho de 2025 e encontrou 10 publicações que incluíam dados de 12 estudos observacionais prospectivos — cinco estudos foram realizados nos EUA, cinco na Ásia (China, Irã, Coreia do Sul e Japão) e dois na Europa (França e Reino Unido). Nove estudos incluíram homens e mulheres, dois incluíram apenas mulheres e um incluiu apenas homens.
O número de participantes no estudo variou de 1.152 a 88.475 e o número de casos de hipertensão arterial variou de 144 a 35.375.
A análise conjunta dos dados do estudo mostrou que uma maior ingestão diária de leguminosas e alimentos à base de soja estava associada a um menor risco de desenvolver hipertensão, sendo a quantidade ideal em torno de 170 g de leguminosas, que incluem ervilhas, lentilhas, grão-de-bico e feijões, e de 60 a 80 g de alimentos à base de soja, como tofu, leite de soja, edamame, tempeh e missô.
Cem gramas de leguminosas/soja equivalem a uma porção de cerca de uma xícara ou 5 a 6 colheres de sopa de feijão, ervilha, grão-de-bico, lentilha, soja cozidos, ou uma porção de tofu do tamanho da palma da mão, explicam os pesquisadores.
Em comparação com pessoas que tinham baixo consumo de leguminosas, aquelas com alto consumo apresentaram 16% menos probabilidade de desenvolver hipertensão. Da mesma forma, pessoas com alto consumo de alimentos à base de soja apresentaram 19% menos probabilidade de desenvolver a doença.
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Segundo os pesquisadores, entre as explicações para os resultados estão que as leguminosas e as sojas são ricas em potássio, magnésio e fibras alimentares, todos conhecidos por suas propriedades de redução da pressão arterial. Além disso, outras pesquisas recentes sugerem que a fermentação de fibras solúveis de leguminosas e soja produz ácidos graxos de cadeia curta que influenciam a dilatação dos vasos sanguíneos, enquanto o teor de isoflavonas da soja também parece ajudar a baixar a pressão arterial.
Limitação no estudo
Os pesquisadores, entretanto, reconhecem que o estudo tem suas limitações, como, por exemplo, a variabilidade dos estudos na análise de dados agrupados — o que inclui diferenças nos tipos de leguminosas, níveis de ingestão, métodos de preparo, contextos alimentares e na definição de hipertensão arterial.
“Apesar dessas limitações, as conclusões desta meta-análise têm implicações importantes para a saúde pública, dado o alarmante aumento global na prevalência da hipertensão. O consumo atual de leguminosas na Europa e no Reino Unido permanece abaixo das recomendações dietéticas, com uma ingestão média de apenas 8 a 15 g/dia, muito abaixo das recomendações de 65 a 100 g/dia para a saúde cardiovascular em geral", salientam os autores.
Os pesquisadores afirmam que são necessárias mais pesquisas com um número maior de participantes para confirmar os resultados, mas que essas descobertas já fornecem evidências que apoiam as recomendações dietéticas para que o público priorize e integre leguminosas e alimentos à base de soja como fontes saudáveis de proteína em suas dietas.
