Feijão: as propriedades do superalimento consumido no feriado de São Jorge
Neste dia 23 de abril é comemorado o Dia de São Jorge e o cardápio para a maioria dos cariocas é o mesmo: a feijoada. O prato típico, feito com feijão preto, é a marca registrada da festa em homenagem ao santo guerreiro, que coleciona devotos em todo o país.
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Base do prato cotidiano de milhões de famílias, o feijão se mantém como um dos ingredientes mais completos e democráticos da alimentação brasileira. O grão combina valor nutricional elevado, versatilidade culinária e acessibilidade, adaptando-se tanto a preparações tradicionais quanto a receitas contemporâneas.
Especialistas afirmam que o feijão é fonte de proteínas vegetais, fibras, ferro, magnésio e vitaminas do complexo B, nutrientes fundamentais para o funcionamento do organismo.
O seu consumo regular contribui para a saúde intestinal, auxilia no controle da glicemia e promove maior sensação de saciedade, o que pode favorecer o equilíbrio da alimentação ao longo do dia.
Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Copenhagen, na Dinamarca, mostrou que refeições com feijões e ervilhas, se mostraram mais eficientes na sensação de saciedade após a ingestão do que pratos com carnes, como de porco e vitela.
O estudo envolveu 43 homens jovens e saudáveis, que foram monitorados após refeições com três tipos de pratos: predominantemente formado por feijões e ervilhas; aqueles baseados em carnes de vitela e de porco; e, finalmente, contendo legumes de baixa proteína.
Quando comeram os legumes com altas taxas de proteína, os participantes ingeriram 12% menos calorias na refeição seguinte do que na mesma sequência com pratos com carne.
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— A refeição rica em proteína com legumes continha significativamente mais fibras do que aquelas com porco e vitela, o que provavelmente contribuiu para uma sensação maior de saciedade. São necessários mais estudos para que se tenha uma prova definitiva, mas parece que refeições baseadas em legumes podem ser uma base de longo prazo para a perda de peso e um hábito alimentar sustentável — apontou a professora Anne Raben, que liderou o estudo.
Um outro estudo feito por pesquisadores da Universidade de Bergen, na Noruega, e publicado na revista científica PLOS Medicine mostrou que aumentar o consumo de leguminosas, como feijão, ervilha e lentilha, e reduzir o consumo de carne vermelha pode adicionar até 13 anos à sua vida.
Os cientistas estimaram quantos anos de vida uma pessoa ganharia se substituísse uma "dieta típica ocidental" — com elevada ingestão de carne vermelha e alimentos processados — por uma "dieta otimizada", que diminui o consumo de carne vermelha e processada e aumenta a ingestão de frutas, vegetais, legumes, nozes e grãos integrais.
O trabalho mostra que quanto mais cedo a mudança de alimentação começar, maior é a expectativa de vida da pessoa. Se uma mulher de 20 anos passar a seguir a “dieta otimizada”, ela pode ganhar até 10 anos a mais de vida. Os benefícios são ainda maiores para homens na mesma idade: até 13 anos a mais.
A mudança na alimentação pode prolongar também a vida de adultos mais velhos. Se a nova dieta for aderida a partir dos 60 anos, uma mulher pode aumentar sua expectativa de vida em 8 anos, enquanto os homens ganham quase 9 anos a mais. Se a alimentação mudar aos 80 anos, ambos os sexos podem ganhar 3,5 anos de vida extra.
No Brasil, a expectativa de vida é de 80,3 anos para as mulheres e de 73,3 anos para os homens, segundo projeções do IBGE.
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O pediatra e colunista do GLOBO, Daniel Becker, afirmou na coluna: “feijão: aposte nesse grãozinho nutritivo para o seu filho” que ter o alimento à mesa todos os dias é garantia de boa alimentação.
— Ele traz nutrientes de todo tipo: proteínas, vitaminas, fibras, minerais e substâncias que protegem contra doenças e promovem saúde — escreveu.
Por que o feijão?
O Dia de São Jorge — associado a Ogum, nas religiões de matriz africana — é uma celebração da fé, mas também de cultura, gastronomia e tradições ancestrais. A celebração, que surgiu com a Igreja Católica, se tornou um marco da cultura brasileira, sendo até feriado em parte do país, como no Rio de Janeiro.
A feijoada de Ogum é uma tradição das religiões de matriz africana como Candomblé e Umbanda. O principal motivo para esse costume é pela relação entre o feijão e o orixá Ogum. Ogum representa proteção e coragem, mas também o trabalho árduo e a agricultura. Assim como a imagem de São Jorge, um santo guerreiro, protetor dos agricultores, soldados e artesãos.
Para agradecer a Ogum, as comidas oferecidas para eles são tipicamente feitas com feijão, um ingrediente abundante, que representa fartura, através de pratos simples, como farofa de feijão-fradinho e a feijoada. Por isso, o prato, ícone da gastronomia e cultura brasileira, é o carro-chefe da celebração religiosa.
Feijoada de Ogum ou feijoada de São Jorge?
Entre a feijoada de Ogum e a feijoada de São Jorge, as semelhanças vão muito além da data. Na verdade, a origem das duas tradições e celebrações é a mesma. Durante o Brasil colonial, os povos escravizados não podiam cultuar as divindades e orixás de suas religiões originais, como Ogum. Para poder continuar exercendo a sua fé, eles precisaram "transferir" as suas tradições para os santos da Igreja Católica.
São Jorge, o santo guerreiro, era o mais próximo de Ogum por sua história e significado. Assim, em vez de oferecer a comida de santo para Ogum, eles precisaram fazer a mesma oferenda para São Jorge. E com isso começaram a fazer a feijoada de São Jorge. Por causa disso, a receita da feijoada de Ogum e da feijoada de São Jorge é a mesma.
