Federação Senegalesa diz que vai recorrer de decisão 'injusta' que deu título da Copa Africana ao Marrocos
A Federação Senegalesa de Futebol classificou como "injusta" a retirada do título da Copa Africana de Nações (CAN) do Senegal desta temporada em favor do Marrocos e anunciou nesta quarta-feira que recorrerá ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS).
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"A Federação Senegalesa de Futebol repudia uma decisão injusta, sem precedentes e inaceitável que desacredita o futebol africano", escreveu em um comunicado publicado nas redes sociais. "Para defender seus direitos e os interesses do futebol senegalês, a Federação apresentará um recurso ao CAS em Lausanne o mais breve possível", acrescentou.
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O órgão de apelações da Confederação Africana de Futebol (CAF) anunciou na noite desta terça-feira que havia retirado o título conquistado pelo Senegal na Copa Africana de Nações (CAN) em 18 de janeiro e declarado o Marrocos o vencedor.
A decisão da CAF se deu após pleito da Federação Real Marroquina de Futebol (FRMF) e foi tomada com base nos artigos 82 (deixar o campo antes do término regular da partida sem a autorização do árbitro) e 84 (a equipe que infringir as disposições do artigo 82 será eliminada definitivamente da competição e perderá a partida por 3 a 0) do regulamento da competição.
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A medida foi tomada por um suposto abandono dos jogadores de Senegal na reta final do segundo tempo da partida. Em reclamação por um pênalti marcado para o Marrocos, alguns senegaleses deixaram o gramado por cerca de dez minutos por orientação do técnico Pape Thiaw, até que o capitão Sadio Mané os convenceu a retornarem ao campo.
Entenda o caso
Até os acréscimos do segundo tempo da etapa regulamentar da final, Marrocos e Senegal protagonizavam uma final morna e equilibrada e empatavam em 0 a 0. Tudo mudou aos 47 minutos do segundo tempo, quando o o árbitro congolês Jean-Jacques Ndala marcou falta de Seck em Hakimi em lance que terminaria com a bola empurrada para as redes por Sarr, no que poderia ser o gol do título senegalês.
Pape Thiaw pediu que os jogadores de Senegal deixassem o campo após o pênalti polêmico marcado em Brahím Diaz
SEBASTIEN BOZON / AFP
Mas foi aos 52 minutos da segunda etapa que um lance ainda mais polêmico incendiou os jogadores senegaleses. O atacante espanhol naturalizado marroquino, Brahim Díaz, do Real Madrid, caiu na pequena área e reclamou com veemência de um suposto puxão de Diouf. Após ser chamado pelo VAR, o árbitro marcou o pênalti.
Jogadores de Senegal deixam o campo
A decisão revoltou os jogadores de Senegal. Alguns fizeram gestos de que teriam sido prejudicados pela arbitragem. Após orientação do técnico Pape Thiaw, o time se retirou de campo. A confusão durou cerca de dez minutos, até que o capitão Sadio Mané, ex-Liverpool e atualmente no Al-Nassr-SAU, foi até o vestiário e convenceu seus companheiros a retornarem ao gramado.
Brahím Diaz tenta cavadinha e perde pênalti
Responsável pela cobrança, Brahim Díaz tinha, no último lance da partida, a chance de virar herói de um título que Marrocos não conquistava há 50 anos, desde 1976. Mas o atacante tentou uma “cavadinha”, viu Mendy ficar parado no meio do gol e defender a cobrança, para o choque dos companheiros e dos milhares de marroquinos que lotavam as arquibancadas.
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Embalados pela defesa do pênalti e a segunda chance na partida e diante de um time marroquino “zonzo”, os senegaleses construíram o gol do título no início do primeiro tempo da prorrogação emuma bela jogada coletiva foi concluída com perfeição por Papa Gueye, que acertou o ângulo de Bono em chute de extrema felicidade de fora da área.
Esse havia sido o segundo título da história de Senegal na competição — o primeiro foi na edição de 2021/2022. Um roteiro que havia transformado em vilão Brahim Díaz, artilheiro do torneio e até então o melhor jogador da competição, e coroado o capitão Sadio Mané, até então o responsável pelo troféu conquistado por seu país. No entanto, a decisão da CAF desta terça-feira, muda o troféu de mãos, embora não apague os contornos épicos da final da competição.
