Federação da Argélia pede desculpas por provocação de jogador a torcedor vestido de herói da República Democrática do Congo
A Federação Argelina de Futebol (FAF) promoveu um encontro com um pedido de desculpas à República Democrática do Congo nesta quinta-feira pela provocação do atacante Mohamed Amoura ao ícone da torcida congolesa, Michel Nkuka Mboladinga, durante o jogo das oitavas de final da Copa Africana de Nações. O torcedor viralizou nas redes sociais dentro e fora do país por imitar uma estátua com o braço estendido e imóvel durante todas as partidas de seu país caracterizando uma imagem do mártir congolês Patrice Lumumba, assassinado em 1961.
""Lumumba representa valores também muito importantes aos argelinos. Este é um gesto de respeito por um país irmão", declarou o representante da federação argelina, enquanto entregava uma camisa da seleção ao torcedor.
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O torcedor, que estava acompanhado do ministro dos esportes de RDC, Didier Budimbu, agradeceu pelos presente e ressaltou a importância de um apaziguamento entre países africanos.
"Uma grande honra receber este presente maravilhoso, símbolo de amor e consideração do povo argelino para com a minha humilde eu. Obrigado ao FAF-Fédération Algérienne de Football. Pela África, para os Africanos", escreveu o torcedor, em uma publicação com o momento do encontro.
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Adil Boulbina foi o algoz de RDC no torneio. Ele fez o gol da eliminação por 1 a 0, nesta quarta-feira, na prorrogação. Na comemoração, o atacante Amoura foi em direção à torcida rival, imitando o gesto de Mboladinga, e depois se jogou ao chão.
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A cena repercutiu negativamente nas redes sociais em virtude do contexto político da homenagem. Com isso, internautas apoiaram o torcedor, popularmente conhecido como "Lumumba VEA", criticando a provocação do argelino. Para dar paz ao cenário, a federação promoveu o encontro com o Lumumba em Casablanca, no Marrocos, local em que ocorre a competição. Ele foi presenteado com uma camisa da Argélia com o nome dele e outra com o nome de Amoura.
"Naquele momento, eu não tinha noção do que a pessoa ou o símbolo nas arquibancadas representavam. Eu simplesmente queria brincar, de forma bem-humorada, sem nenhuma má intenção ou desejo de provocar alguém", disse Amoura, aos jornais local.
Mártir pan-africano
O ex-primeiro ministro congolês Patrice Lumumba em cena do documentário "Trilha sonora para um golpe de estado", de Johan Grimonprez
Divulgação
Patrice Lumumba é considerado uma das vozes mais proeminentes do movimento anticolonial africano. O político libertou o RDC do domínio colonial belga em 30 de junho de 1960, quando proclamou a independência do país fazendo um discurso inflamado contra o racismo colonialista, tornando-se o primeiro primeiro-ministro Congolês.
Ele foi derrubado em uma conspiração envolvendo separatistas congoleses e mercenários belgas, que o depuseram, prenderam e assassinaram em 17 de janeiro de 1961.
Seus restos mortais foram dissolvidos em ácido, sobrando apenas um dente, que foi encontrado 60 anos depois, na Bélgica.
Isso após um policial belga envolvido na morte de Lumumba se gabar de suas ações na mídia. Em 2016 a Justiça belga apreendeu o resto mortal de seu corpo. Ele foi devolvido em junho de 2022 aos parentes do herói da independência, em Kinshasa, na República Democrática do Congo.
