Fed mantém juros dos EUA entre 3,50% e 3,75% ao ano e interrompe sequência de cortes

 

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O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decidiu manter a taxa de juros do país inalterada na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano. É o menor nível desde setembro de 2022. A decisão foi anunciada nesta quarta-feira (28) e veio em linha com a expectativa do mercado financeiro.

Com o movimento, o Fed interrompe um ciclo de três cortes consecutivos. Na reunião anterior, em 10 de dezembro, o banco central havia reduzido os juros em 0,25 ponto percentual.

Em comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) informou que a geração de empregos permaneceu baixa, enquanto a taxa de desemprego mostrou sinais de estabilidade. O colegiado também afirmou que a inflação segue “um pouco elevada”.

“A incerteza sobre as perspectivas econômicas permanece elevada. O Comitê está atento aos riscos em ambos os lados de seu duplo mandato [direcionado a estimular o emprego e controlar a inflação]”, diz o texto.

A decisão desta quarta-feira foi a nona desde que Donald Trump assumiu como 47º presidente dos EUA, em 20 de janeiro de 2025. Desde a posse, houve três cortes de juros em meio a um cenário econômico mais adverso, diante da guerra tarifária promovida pelo republicano.

Economistas, agentes do mercado e o próprio Fed têm destacado os impactos das sobretaxas aplicadas por Trump na economia americana. Um dos principais receios é a alta da inflação ao consumidor, o que levou o banco central a adiar sucessivas vezes a redução dos juros.

Nos últimos meses, dados de um mercado de trabalho mais fraco passaram a indicar desaceleração da economia dos EUA, abrindo espaço para cortes. Ao mesmo tempo, a inflação seguiu sob controle, embora ainda acima da meta de 2%, o que dividiu o Fed.

Reflexos para o Brasil

A política de juros nos Estados Unidos tem reflexos no Brasil. Com as taxas ainda elevadas, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central brasileiro também vai decidir, nesta quarta-feira, se mantém ou altera a taxa básica de juros da economia. A expectativa quase unânime do mercado é que a taxa Selic será mantida em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas.

Apesar da pressão do governo e de setores produtivos por juros menores, o Banco Central deve optar pela cautela. Entre os motivos alegados estão: risco de inflação acima do teto da meta; incerteza sobre o cumprimento da meta fiscal; e o cenário externo, com juros americanos ainda elevados.