Para muitas famílias paraenses, o Círio de Nazaré é uma tradição que começa muito antes das romarias. É uma herança afetiva passada dos avós para os pais e, depois, para os filhos e netos.
Na família da química Íris Daniele Lopes, a devoção a Nossa Senhora de Nazaré atravessa gerações e se renova todos os anos em meio a pedidos, agradecimentos e lembranças que ajudam a manter vivos os vínculos familiares. Uma tradição que começa nos avós
Na família de Íris, acompanhar o Círio sempre foi uma experiência compartilhada. A tradição veio dos avós, passou pelos pais e chegou à nova geração.
Hoje, ela faz questão de levar os três filhos e a sobrinha para vivenciar a festividade. “É bem forte na nossa família a tradição, né? Que já vem desde os nossos avós, vós, os nossos pais.
Também a gente acompanhava o Círio com eles. E a gente também tá passando pros filhos, né?”, contou.
Íris é mãe de Miguel, Isabela e Alice. A sobrinha Ana também participa desse momento familiar.
Todos os anos, a família se reúne para acompanhar a festividade, agradecer pelas bênçãos recebidas e renovar os pedidos diante de Nossa Senhora. Íris Daniele Lopes, química.
(Foto: Carmem Helena) “Agora eu tenho três filhos, minha sobrinha, que também, todo ano, nós fazemos questão de acompanhar e agradecer, né? Porque são muitas as bênçãos.
Todos os dias a gente tem bênção. E também pedir, né? Pedir pra iluminar, pra dar força, porque a gente passa também por dificuldades na vida”, explicou.
Fé nos momentos de dificuldade A devoção, para Íris, não está restrita ao período do Círio.
A família recorre à fé também diante dos desafios cotidianos, buscando força e auxílio em momentos importantes da vida. “E a gente tem muita fé em Nossa Senhora e pede pra ela pra auxiliar a gente.
Nós somos... sempre procuramos ter presentes, né? E no Círio a gente vem”, afirmou.
Entre as histórias que fortalecem essa fé está a da irmã de Íris, Jéssica. Aos 40 anos, ela tentava engravidar havia seis anos.
Segundo Íris, a irmã tinha mioma e já procurava tratamento para conseguir engravidar. No ano passado, Jéssica acompanhou o Círio e, diante da Basílica, fez novamente o pedido a Nossa Senhora de Nazaré.
Cerca de um mês depois, descobriu que estava grávida. “Ela já tá com 40 anos e ela tentava há seis anos já engravidar.
E não. Ela tinha mioma e ela já tava até procurando...
já ia fazer tratamento, né? Pra conseguir. E ano passado ela veio no Círio e acompanhou o Círio e chegou aqui na frente da Basílica, pediu mais uma vez e quando foi...
depois de um mês, mais ou menos, ela descobriu que tava grávida”, relatou. Para a família, a gravidez foi recebida como uma graça alcançada e reforçou a crença na intercessão de Nossa Senhora.
“Então a gente tem certeza que tem intercessão de Nossa Senhora, né? Que é um milagre o meu sobrinho”, declarou. O Círio também é tempo de lembrar
A devoção familiar ganhou um significado ainda mais profundo neste ano. A presença de Íris no Círio também está relacionada à memória da mãe, cujo falecimento completou um ano.
“Por essas e outras situações que acontecem, hoje a gente tá aqui porque hoje é... completa um ano de falecimento da minha mãe.
Então a gente vem pra pedir força”, disse. A celebração, nesse contexto, torna-se também um espaço de memória e acolhimento.
A família se reúne para lembrar quem partiu e buscar na fé forças para seguir. “Pedir força e...
Deus ampare a gente, né? Ilumine o nosso caminho. Várias histórias, porque...
como eu tô falando, são muitas bênçãos”, destacou. Uma herança que continua
Ao longo dos anos, a família também recorreu à fé em momentos ligados a conquistas pessoais, como vestibulares e concursos públicos. Para Íris, essas experiências fazem parte de uma relação construída diariamente com Nossa Senhora e com a própria fé cristã.
“E tem questão também de vestibular, de concurso público, que a gente sempre recorre à Nossa Senhora e... Nosso Senhor Jesus Cristo, né? E a gente, graças a Deus, é sempre atendido”, afirmou.
Mais do que uma tradição anual, o Círio representa para a família uma forma de manter vivos ensinamentos e sentimentos transmitidos entre gerações. O que começou com os avós e os pais continua nos filhos e na sobrinha, criando novas lembranças sem romper com as antigas.
“Passamos por dificuldades que eu acho que faz parte, né? Nem tudo é como a gente quer, mas como Deus quer. E aí é isso”, concluiu.
O Liberal