FBI diz que ataque a sinagoga em Michigan foi terrorismo inspirado no Hezbollah
O FBI classificou como um ato de terrorismo inspirado no Hezbollah o ataque contra uma sinagoga em West Bloomfield, no estado de Michigan, ocorrido no início de março. Segundo a rede CNN, a agência afirma que o alvo foi deliberadamente a comunidade judaica e o maior templo do tipo na região.
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O atentado aconteceu no dia 12, quando o autor, Ayman Ghazali, cidadão americano naturalizado nascido no Líbano, lançou uma caminhonete contra uma das entradas do prédio, localizado na Walnut Lake Road, enquanto mais de 100 crianças participavam de atividades escolares no local, que abriga também uma creche e um centro comunitário judaico. Em seguida, ele se matou a tiros. Não houve outras vítimas fatais.
Viaturas cercam a sinagoga Temple Israel após ataque em West Bloomfield, Michigan, em 12 de março de 2026; suspeito morreu após lançar veículo contra o local
Emily Elconin/Getty Images/AFP
De acordo com autoridades americanas, Ghazali já constava em bases de dados federais por possíveis conexões com “terroristas conhecidos ou suspeitos” ligados ao Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã.
As investigações apontam que o ataque foi planejado com antecedência. Segundo o FBI, a preparação começou dias antes e se intensificou a partir de 9 de março. Uma análise da atividade online do suspeito desde janeiro revelou buscas frequentes por veículos de mídia pró-Hezbollah e iranianos, além de conteúdos relacionados ao uso de armas de fogo e munições.
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A partir dessa mesma data, ele também passou a acompanhar de perto discursos e transmissões do secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem. As autoridades identificaram ainda o consumo de conteúdos sobre uma fatwa iraniana, decisão religiosa baseada na lei islâmica, que convocava uma jihad total contra as forças armadas dos Estados Unidos.
O contexto familiar e geopolítico também entrou na linha de investigação. Uma semana antes do ataque, dois irmãos de Ghazali morreram em um bombardeio israelense no Líbano, em meio à escalada do conflito envolvendo Israel, EUA e Irã.
Segundo as Forças Armadas israelenses, um deles, Ibrahim Muhammad Ghazali, atuava como comandante do Hezbollah responsável por operações de armamento na unidade Badr do grupo.
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Para o FBI, a combinação entre vínculos prévios, radicalização online e o impacto direto do conflito no Oriente Médio ajudam a explicar a motivação do ataque, que ocorre em um momento de aumento das tensões internacionais e de alertas para possíveis ações inspiradas por grupos alinhados ao Irã.
