Fazenda vê impacto limitado de novas tarifas dos EUA, mas alerta para risco inflacionário do conflito no Oriente Médio
A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda afirmou que incorporou às projeções do Boletim Macrofiscal os efeitos das novas tarifas anunciadas pelos Estados Unidos, mas avaliou que o impacto macroeconômico sobre a economia brasileira deve permanecer limitado.
Já os desdobramentos mais recentes do conflito entre EUA e Irã não foram considerados no cenário-base e representam um risco de alta para os preços de energia e para inflação.
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Segundo a secretaria, as medidas anunciadas pelos EUA em junho de 2026, ainda pendentes de aprovação, preveem exceções para diversos produtos, o que tende a manter o impacto agregado modesto.
Além disso, o conjunto de medidas adotadas pelo governo desde 2025, voltadas ao crédito, à liquidez e à diversificação de mercados, deve ajudar a mitigar os efeitos sobre os setores mais expostos.
A SPE também destacou que as exportações brasileiras mostraram resiliência após a elevação das tarifas em agosto de 2025, com recuperação gradual desde novembro.
“Como o mercado americano respondeu por cerca de 11% das exportações brasileiras em 2025, equivalentes a menos de 2% do PIB antes do choque, e o redirecionamento das vendas para outros destinos compensou parte relevante da perda, o efeito direto sobre a atividade foi limitado e tende a continuar desta forma”, diz.
No cenário de riscos, a secretaria também considera a possibilidade de um super El Niño, que pode provocar eventos climáticos extremos e pressionar os preços de alimentos e energia, especialmente na América Latina e na Ásia.
Em relação ao conflito no Oriente Médio, a SPE ressaltou que os avanços diplomáticos entre maio e o início de julho reduziram temporariamente os riscos geopolíticos, com o cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã contribuindo para a queda das cotações do petróleo.
No entanto, a retomada dos conflitos em 8 de julho, após a data de corte das projeções da pasta, interrompeu essa trajetória, elevando novamente os preços da commodity e as incertezas quanto à evolução do conflito.
Por isso, esses desdobramentos, ainda não incorporados ao cenário-base, passaram a representar um risco relevante de alta para os preços da energia e para a inflação.
Domingos Peixoto/Agência o Globo
