Fazenda fecha acordos com bancos e encerra disputas tributárias bilionárias

 

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A Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) concluiu, nas últimas semanas, acordos individuais com grandes instituições financeiras para encerrar disputas tributárias que somavam aproximadamente R$ 3,3 bilhões. Parte relevante desses valores — cerca de R$ 2 bilhões — estava relacionada a processos envolvendo a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), que se arrastavam há quase 20 anos.

Entre os acordos firmados, estão negociações com o Santander, que regularizou um débito de cerca de R$ 1,5 bilhão, e com o Citibank, cuja dívida girava em torno de R$ 500 milhões. O Itaú também aderiu à transação para resolver passivos superiores a R$ 1 bilhão, referentes a discussões sobre a cobrança de PIS e Cofins sobre receitas financeiras, além de tributos como Imposto de Renda (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Já o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais quitou pendências acima de R$ 200 milhões, ligadas à mesma base de cálculo das contribuições.

Nos termos dos acordos, as instituições reconhecem os débitos, efetuam o pagamento à vista do valor remanescente após os abatimentos e assumem o compromisso de manter a regularidade fiscal. As negociações foram realizadas dentro do Programa de Transação Integral (PTI), lançado em 2024 com foco em litígios de grande impacto econômico e histórico prolongado no Judiciário.

De acordo com a PGFN, o programa permite ajustar condições de pagamento conforme a probabilidade de recuperação do crédito, levando em conta fatores como o tempo de tramitação dos processos, as chances de êxito nas ações e os custos envolvidos na manutenção das disputas. Nos acordos já fechados, os descontos concedidos variaram entre 10% e 30%, dependendo das características de cada processo.

Segundo a PGFN, entre janeiro e junho de 2025, o PTI resultou na regularização de 274 inscrições na dívida ativa da União. Em um recorte mais amplo, de janeiro a setembro do mesmo ano, a PGFN informou ter recuperado R$ 44,9 bilhões em créditos inscritos, sendo mais da metade por meio de diferentes modalidades de transação tributária.