É #FATO: homem desenterra irmã e leva esqueleto ao banco para sacar dinheiro na Índia
Circula nas redes sociais,uma cena que viralizou no final deste mês de abril: um homem aparece caminhando por uma estrada de terra, sem camisa e descalço, carregando nos ombros restos mortais envoltos em tecido, enquanto moradores observam e filmam. É #FATO
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A história aconteceu no estado de Odisha, no leste da Índia, e mobilizou autoridades locais, veículos de imprensa e o próprio banco envolvido.
Como é o post?
O vídeo circula em plataformas como X, Instagram e Facebook com legendas que afirmam que um homem teria levado o esqueleto da irmã até uma agência bancária para provar sua morte e conseguir sacar cerca de 20 mil rúpias indianas, valor equivalente a pouco mais de mil reais, na cotação atual.
Confira:
Homem desenterra irmã e leva esqueleto ao banco para sacar dinheiro na Índia
As imagens mostram Jeetu Munda, de 50 anos, morador da vila de Dianali, no distrito de Keonjhar, carregando os restos mortais da irmã mais velha, Kalara Munda, de 56 anos. Ela havia morrido cerca de dois meses antes, após uma doença, e o dinheiro na conta era fruto da venda de gado, segundo a imprensa local. Como ela não tinha outros herdeiros legais, ele tentava acessar o valor depositado em seu nome.
Depois da repercussão surgiram dúvidas sobre a autenticidade das imagens. O GLOBO submeteu o vídeo a uma análise da plataforma Hive Moderation, usada para detectar conteúdos manipulados por inteligência artificial, que apontou baixa probabilidade de o vídeo ter sido gerado por IA ou deepfake: apenas 1,3%, indicando que o conteúdo é provavelmente autêntico.
Verificação no Hive Moderation
Captura de tela
O que é fato?
O episódio realmente aconteceu na agência de Maliposi do Odisha Grameen Bank, um banco rural regional que opera com patrocínio do Indian Overseas Bank (IOB), uma das principais instituições financeiras públicas da Índia, fundada em 1937 e nacionalizada pelo governo em 1969.
Odisha é um estado no leste indiano, e Keonjhar é um distrito majoritariamente rural, com forte presença de comunidades tribais e população de baixa renda. Jeetu Munda, descrito pela polícia como um homem tribal analfabeto, disse que foi repetidas vezes ao banco tentar sacar o dinheiro da irmã, mas não conseguiu concluir o processo porque não tinha a documentação exigida, segundo o jornal Telegraph India.
Segundo ele, funcionários teriam insistido que ele apresentasse a titular da conta. “Embora eu lhes dissesse que ela havia falecido, eles não me deram ouvidos”, afirmou ao India Today. Frustrado, ele decidiu desenterrar os restos mortais da irmã e levá-los até a agência como forma de comprovar o óbito.
O inspetor responsável pela delegacia de Patana, Kiran Prasad Sahu, afirmou que o problema envolveu falha de comunicação. Segundo ele, Jeetu não compreendia o processo legal para saque de valores de uma pessoa falecida e os funcionários do banco também não conseguiram explicar adequadamente como funcionava a sucessão bancária naquele caso.
O que disse o banco?
Após a viralização, o Indian Overseas Bank publicou um esclarecimento oficial, negando que funcionários tenham exigido a presença física da cliente morta.
“Contrariando certos relatos da mídia, os funcionários do banco não exigiram a presença física de um cliente falecido para saque”, afirmou a instituição no X.
Confira:
Publicação do Indian Overseas Bank
Captura de tela
O banco explicou que, pelas regras bancárias indianas, não é permitido que terceiros retirem dinheiro de uma conta sem autorização formal. Em casos de morte, é necessário apresentar documentos válidos, especialmente a certidão de óbito, para que o chamado “acerto de reivindicação por morte” seja processado.
Ainda segundo o comunicado, Jeetu Munda teria ido à agência inicialmente sem essa documentação. O gerente explicou que o saque só poderia ocorrer mediante comprovação legal do falecimento. Depois disso, segundo o banco, ele retornou “em estado de embriaguez” e levou os restos humanos até a frente da agência.
“O indivíduo (...) retornou com restos humanos, supostamente exumados após terem sido enterrados alguns dias antes, colocando-os em frente à agência e alegando que se tratava de sua irmã”, escreveu o banco.
A instituição também afirmou que o objetivo era proteger os recursos da falecida e que o pagamento será priorizado assim que a certidão de óbito for formalizada.
Contexto adicional
No interior da Índia, especialmente em regiões mais pobres e afastadas, dificuldades de acesso a documentação oficial ainda são comuns, o que pode atrasar processos como herança, aposentadoria e saques bancários. A figura do “herdeiro legal” exige comprovação formal e, quando não há beneficiário previamente registrado na conta, o procedimento pode se tornar mais burocrático.
No caso de Kalara Munda, fontes ouvidas pela imprensa local afirmaram que o beneficiário originalmente registrado também havia morrido, o que deixou Jeetu como único sucessor possível. Após a repercussão, a polícia e a administração local prometeram ajudar na regularização dos documentos e no saque do valor.
Segundo o Hindustan Times, o esqueleto foi novamente sepultado no cemitério da comunidade, sob supervisão policial.
