Fãs de Bad Bunny estão prontos para o ‘Benito Bowl’
Jessica Santoni não se lembra da última vez que assistiu a um jogo de futebol americano. Mas, na última semana, ela se preparou para dar uma grande festa para o Super Bowl no domingo.
Ela está entre os fãs que estão organizando um “Bad Bunny Bowl” ou “Benito Bowl”, porque, para eles, celebrar o astro porto-riquenho Bad Bunny — que será a atração principal do show do intervalo do Super Bowl — vem em primeiro lugar, e o jogo é um mero detalhe. Quais times estão jogando? Eles nem sabem.
Santoni, 38, maquiadora em Meriden, Connecticut, decorou sua casa com bandeiras de Porto Rico, plantas tropicais e guirlandas. Outros anfitriões transformaram suas ilhas de cozinha em campos de futebol usando grama sintética decorativa, cobrindo-as com travessas de empanadas e cupcakes de três leites.
As paredes da sala de estar estão cobertas de fotos de um desenho animado do Sapo Concho — o sapo nativo porto-riquenho em perigo de extinção — agora mascote de “Debí Tirar Más Fotos”, o álbum mais recente de Bad Bunny, cujo nome verdadeiro é Benito Antonio Martínez Ocasio. Santoni chegou a considerar enfeitar sua casa com recortes de papelão do artista.
— Eu vivo me esquecendo que tem um jogo de futebol americano — disse ela.
Todo ano, sempre tem um grupo de fãs que parece estar muito mais empolgado com a apresentação do intervalo do Super Bowl do que com o próprio jogo. Mas este ano, o fervor parece diferente — mais urgente e energizado. Isso pode ser, em parte, porque há apenas uma semana, “Debí Tirar Más Fotos” — a carta de amor de Bad Bunny a Porto Rico — se tornou o primeiro LP em espanhol a ganhar o Grammy de Álbum do Ano.
— Bad Bunny está mostrando ao mundo a nossa cultura, como ela é linda e acolhedora, e eu acho que vai ser muito emocionante — disse Santoni, que já levou seus filhos de 8 e 19 anos para desfiles do Dia de Porto Rico e ajudou a incutir neles um senso de orgulho cultural.
Alyssa Gonzalez, 29, criadora de conteúdo, também está organizando uma festa para o Benito Bowl, para a qual dezenas de familiares e amigos se reunirão em sua casa em Marlboro, Nova Jersey. Ela está ajudando a preparar versões porto-riquenhas de pratos típicos do Super Bowl: mini-hambúrgueres de carne com pão de banana-da-terra, nachos de tostones e asas de frango apimentadas com cobertura de goiaba.
Ela e sua família também servirão mojitos de maracujá e coco — somente com Bacardi — e Medalla, uma cerveja porto-riquenha popular, que conseguiram em bodegas locais.
Gonzalez, que mora com sua mãe porto-riquenha e seu padrasto dominicano, disse que o beisebol era o esporte preferido em sua casa caribenha.
— O show é realmente o motivo pelo qual estamos aqui — disse ela.
Ela começou a ouvir a mistura única de reggaeton e trap latino de Bad Bunny em 2018, pouco depois de ele ter surgido na cena musical. Na época, ela era aluna do último ano da Universidade Rutgers e ouvia suas músicas, como “La Romana”, tocando nas festas do campus. E agora, elas serão apresentadas em um dos maiores palcos do mundo.
— Tem sido histórico, as mudanças que ele trouxe — disse Gonzalez. — Em 2018, foi impressionante ver um reggaeton super autêntico nessas festas.
Seu padrasto, Ramon Estevez, disse que apreciou a maneira como Bad Bunny uniu latinos de diferentes países. Embora artistas latinos já tenham se apresentado no palco antes — como Shakira e Jennifer Lopez, que trouxeram Bad Bunny e J Balvin durante o show do intervalo em 2020 — esta pode ser a primeira apresentação inteiramente em espanhol.
— A música é emocionante e divertida, e as pessoas podem curtir mesmo sem entender o idioma — disse Estevez, de 63 anos, CEO de uma empresa de consultoria. — Mesmo que ele tenha dado a eles quatro meses para aprender espanhol.
Carlos Emmanuel Calderón, que mora em San Juan, Porto Rico, disse que “parece Natal, estamos levando isso muito a sério na ilha”. Calderón admitiu que esta foi a primeira vez que ele e muitos de seus vizinhos assistiram ao Super Bowl.
Calderón, de 32 anos, lembrou-se de ter visto Bad Bunny se apresentar pela primeira vez em 2017, em uma boate em San Juan, a Brava.
— Eu estava olhando para aquele cara, e ele era careca naquela época — disse Calderón. — Eu pensei: ‘Quem é esse cara chamado Bad Bunny e por que ele se chama Bad Bunny?’ Ninguém imaginava que ele se tornaria a maior estrela do mundo.
Calderón está ansioso para ver as declarações políticas que o artista poderá fazer no show do intervalo do Super Bowl, que geralmente é o show mais assistido do mundo a cada ano. Um recorde de 133,5 milhões de pessoas assistiram à apresentação de Kendrick Lamar no intervalo do ano passado.
O artista não se esquivou de abordar temas políticos em sua música e em plataformas públicas — vários republicanos proeminentes ficaram chateados com a escolha de Bad Bunny como artista do show do intervalo. Ele já falou sobre diversos assuntos, incluindo seu apoio à comunidade LGBTQ+, o colonialismo na ilha e as constantes falhas na rede elétrica de Porto Rico, e declarou “ICE fora” durante um discurso de agradecimento no Grammy, referindo-se ao Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).
Mas para Mike Alfaro, de 37 anos, autor da série de livros infantis bilíngues “Yes Sabo Kids”, “o fato dele falar espanhol já é uma mensagem suficiente”.
Alfaro, que é de Los Angeles, acrescentou:
— Os Estados Unidos são o segundo maior país de língua espanhola do mundo, depois do México, e é muito importante mostrar que os Estados Unidos têm uma grande diversidade de idiomas.
E Calderón arrematou:
— Acho que vamos chorar do começo ao fim.
