Farmacêutica americana é condenada por crise dos opioides; entenda
Um juiz federal em Nova Jersey condenou a empresa farmacêutica americana Purdue Pharma nesta terça-feira, responsabilizando-a pela origem da crise dos opioides nos Estados Unidos, antes que seu plano de falência entre em vigor. A empresa e seus proprietários, a família Sackler, foram acusados de promover o analgésico OxyContin, ocultar seu alto potencial viciante e pagar propinas a médicos, gerando bilhões de dólares em lucros.
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A empresa terá que pagar mais de US$ 8 bilhões neste caso, de acordo com o plano de falência. A Purdue Pharma deverá ser dissolvida em 1º de maio, e uma nova empresa independente chamada Knoa Pharma assumirá seus ativos e expertise com a missão de combater a crise dos opioides.
Por mais de seis horas nesta terça-feira, o juiz ouviu depoimentos de dezenas de vítimas e seus familiares antes de instar o presidente da Purdue Pharma, Steve Miller, a se desculpar. A juíza também pediu desculpas em nome do governo dos EUA, que "falhou" em proteger o público das práticas "motivadas pela ganância" da Purdue Pharma, cuja "estratégia era comparável à de uma organização criminosa".
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Várias vítimas presentes no tribunal pediram a rejeição do acordo — exigindo especificamente acusações criminais contra a família Sackler ou uma indenização maior —, mas a juíza considerou essa a "melhor medida possível" à sua disposição. Por fim, ela instou os advogados da empresa falida a cumprirem o acordo.
De acordo com dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), quase 727 mil pessoas morreram nos Estados Unidos entre 1999 e 2022 devido a overdoses relacionadas a opioides, sejam eles prescritos ou consumidos ilegalmente.
