Luziene Rosa Sobreira das Chagas, professora do 1º ano do ensino fundamental da Escola Municipal Maria Quitéria, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, é uma das contempladas no Prêmio Rede CpE na Sala de Aula. A premiação, da Rede Nacional de Ciência para a Educação (Rede CpE), é uma homenagem ao Dia dos Professores, e tem cerimônia marcada para o próximo sábado, no Museu do Amanhã.
Prefeitura vistoria casarão onde morou Carmen Miranda, após denúncia de que local virou ponto de acesso para furtos Veja detalhes: Ruas começa transição de governo estudando mudanças na segurança pública e unificação de secretarias Luziene criou a “Alfabetização Divertida: Práticas Docentes na Contemporaneidade”, que envolve músicas, vídeos e jogos pedagógicos. Para apresentar as letras e seus sons, Luziene recorre a fantasias de personagens consagrados do universo lúdico e já se vestiu, por exemplo, de Batman, Mulher-Maravilha e Xuxa.
— Apresentei o nome e os sons das letras com músicas infantis, vídeos animados no YouTube e jogos pedagógicos escolhidos por eles para apresentar o grupo silábico de cada letra. A letra B era representada pelo Batman, então me vesti do super-herói para mostrar que a junção da consoante B com a vogal A faz ‘BA’, com a vogal E faz ‘BE’ e assim por diante — explica Luziene no vídeo enviado à premiação. A prática, que combina evidências da ciência da leitura com atividades lúdicas e recursos visuais, leva em conta também aspectos socioemocionais dos alunos. Em 2023 e 2025, 100% dos alunos de Luziene foram alfabetizados, incluindo estudantes neurodivergentes.
Superdotação: Alvinho inspira projeto de lei que prevê políticas públicas para alunos de escolas públicas do estado com altas habilidades — Alfabetizar a criança na idade certa é primordial para reduzirmos as desigualdades sociais, sobretudo em uma realidade em que muitos alunos já precisaram se esconder no cantinho da leitura por causa de tiroteios e explosões de granadas — explica a professora.
Com o tema “Sustentabilidade Social e Ciência para Educação”, o Prêmio Rede CpE na Sala de Aula avaliou iniciativas de diferentes regiões do país. Durante a etapa de inscrições, professores foram convidados a compartilhar suas experiências por meio de um vídeo curto de até 2 minutos. Os ganhadores recebem prêmio de R$ 5.000 e financiamento para participar do IX Encontro Anual da Rede CpE. Além dos três projetos vencedores, os vídeos dos demais dez finalistas serão apresentados nos dois dias do encontro. Outro professor premiado foi Alef Bruno dos Santos, da Escola Cidadã Integral Serveliano de Farias Castro, em Caraúbas, no Cariri paraibano. Ele desenvolveu com estudantes do 3º ano do ensino médio o projeto “Sociobiodiversidade e Culturas Vivas: Solução Sustentável para Captação e Filtração da Água da Chuva”, a partir da escassez hídrica vivenciada pela comunidade. Em Manaus, a professora Maria Raquel Souza dos Santos, da Creche Municipal Magdalena Arce Daou, é responsável pelo projeto “Da QueiMATA ao Reflorestar: Mudanças Climáticas, Infâncias Periféricas e Propostas para Adiar o Fim do Mundo”, que leva a educação ambiental para a primeira infância. A metodologia é o plantio de mudas nativas e coleta de resíduos recicláveis, envolvendo também crianças com deficiência e suas famílias. O projeto já teve ações em parceria com universidades, secretarias municipais e outras organizações, envolvendo cerca de 5 mil pessoas. Criada em 2014 por um grupo inicial de 30 cientistas de universidades brasileiras, a Rede Nacional de Ciência para a Educação (Rede CpE) reúne atualmente 220 pesquisadores associados de diferentes áreas do conhecimento. A rede desenvolve e apoia pesquisas voltadas à educação, buscando aproximar evidências científicas da construção de práticas e políticas educacionais. Ao longo de sua trajetória, já esteve envolvida em 120 projetos e editais e mantém iniciativas de divulgação científica, como a Revista Yvirá, podcasts e clube de leitura, além de realizar encontros anuais.
O Globo