Família pede proibição da Tesla Cybertruck após morte de adolescente em atropelamento com fuga nos EUA
Uma família de Connecticut pede a retirada das caminhonetes Tesla Cybertruck das ruas após a morte de Malachi James, de 14 anos, vítima de um atropelamento com fuga ocorrido no dia de Natal, em Hartford, nos Estados Unidos. O adolescente estava no banco de trás de um carro quando foi atingido por uma Cybertruck que vinha na direção oposta. O motorista abandonou o local a pé e segue foragido, segundo a polícia.
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Malachi foi socorrido, mas morreu no hospital em decorrência de traumatismos graves na cabeça, no pescoço e no corpo. Outros três ocupantes do veículo ficaram seriamente feridos: o pai do jovem, Thomas James, de 50 anos, que deverá passar por cirurgias complexas; a irmã, Christiana, submetida a uma operação na perna com colocação de hastes; e a sobrinha de três anos, Vaniya, que permanece com o corpo imobilizado por gesso.
Projeto do veículo e questionamentos sobre segurança
Familiares afirmam que o porte e o desenho da Cybertruck representam riscos para o tráfego urbano. “Vamos fazer o possível para encontrar maneiras de retirá-los das ruas. Isso é como um tanque”, disse à emissora WTNH a tia do adolescente, Royael Saez. Ela cita restrições enfrentadas pelo modelo na Europa, onde normas de segurança priorizam a proteção de pedestres.
Especialistas apontam que o exoesqueleto de aço inoxidável, com superfícies rígidas e ângulos pronunciados, entra em conflito com regulamentações europeias em vigor há décadas. A Agência de Alfândega do Exército dos EUA na Europa, por exemplo, alertou militares para não importarem o veículo, que não possui homologação da União Europeia e não pode ser registrado no bloco.
Tesla Cybertruck, picape futurística da marca
Bloomberg
Nos Estados Unidos, no entanto, a Tesla Cybertruck recebeu classificação geral de cinco estrelas da Administração Nacional de Segurança Rodoviária (NHTSA), segundo informações divulgadas pela própria montadora. Entre os recursos citados estão frenagem automática de emergência, assistentes de faixa, monitoramento de ponto cego e um sistema de câmeras com visão de 360 graus. Os sensores permitem a coleta de dados que podem ser analisados após acidentes, explicou à WTNH Eric Jackson, do Instituto de Transportes de Connecticut.
Apesar disso, Jackson ressalta que o peso do veículo — a partir de 3.011 quilos — pode representar risco elevado para pedestres e carros menores. O Instituto de Seguros para Segurança Rodoviária (IIHS) não concedeu ao modelo o selo Top Safety Pick, citando avaliações insatisfatórias dos faróis e alertas considerados insuficientes para o uso do cinto de segurança.
Veículo também já circula no Brasil
Filipe Ret e sua Tesla Cybertruck, avaliada em cerca de R$ 1,5 milhão
Reprodução
Embora não seja vendido oficialmente no Brasil, a Tesla Cybertruck já circula no país por meio de importações independentes. Estimativas apontam que cerca de 15 unidades estariam em circulação até o fim de 2024, adquiridas principalmente por influenciadores e empresários. O custo pode ultrapassar R$ 1,5 milhão por unidade, a depender da versão, impostos e taxas de importação.
A polícia de Hartford informou ao Daily Mail que ainda investiga quem conduzia a Cybertruck no momento do acidente e não esclareceu os motivos da fuga. Mais detalhes devem ser divulgados conforme o avanço das investigações.
Aluno do primeiro ano do ensino médio na Middletown High School, Malachi havia acabado de celebrar o Natal com a família e foi descrito pelos parentes como “uma luz brilhante por onde passava”. Abalados, eles dizem buscar justiça. “Espero que a pessoa que fez isso não ache que pode fugir e se esconder”, afirmou o tio, Spenser McGhee.
