Família luta por velório após homem ser assassinado e enterrado no quintal de casa no Pará

 

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A família de Sebastião Lourenço de Barros, de 65 anos, vive um drama marcado por dor, revolta e espera no município de Redenção, no sul do Pará. Desaparecido por 15 dias, ele foi encontrado morto na última quarta-feira (29), enterrado no quintal da própria casa, no setor Santos Dumont.


Agora, além do luto, os familiares enfrentam uma nova angústia: a impossibilidade de realizar o velório e o sepultamento. Isso porque os restos mortais foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Marabá, onde passarão por exame de DNA para confirmação da identidade. Segundo a Polícia Civil, o processo pode levar entre 30 e 40 dias.


A demora revolta a família, que afirma não ter dúvidas de que o corpo encontrado pertence a Sebastião, conhecido como “Tiãozinho”. Parentes vindos de Goiânia se juntaram aos que vivem em Redenção para tentar acelerar a liberação e garantir uma despedida digna.


De acordo com a informação de A Notícia Portal, Sebastião foi assassinado por dois homens que estavam morando de favor em sua residência. Uma testemunha, ainda procurada pela polícia, relatou que a vítima foi executada, esquartejada, teve o corpo queimado e, posteriormente, enterrado no quintal da casa.


Mesmo após o crime, os suspeitos continuaram vivendo normalmente no local e chegaram a enganar familiares. Um dos irmãos da vítima, Hilário Lourenço, esteve diversas vezes na casa em busca de notícias, mas era sempre informado de que Sebastião havia viajado para trabalhar em uma fazenda.


“Na segunda-feira, quando voltei lá, eles disseram que o Tião tinha saído de madrugada para trabalhar. Depois disso, fui todos os dias procurar meu irmão, e eles sempre diziam que ele ia chegar”, relatou ao site.


Hilário também estranhou indícios que, à época, foram ignorados. “Toda vez que eu chegava lá tinha fogo queimando. Eles diziam que estavam limpando o terreno, queimando lixo”, contou.


A verdade só veio à tona após uma denúncia anônima indicar que Sebastião estaria morto e enterrado no quintal. Ao verificar a informação, familiares encontraram sinais que confirmavam o crime, incluindo o local onde o corpo foi ocultado.


“Tudo que falaram pra gente estava certo. O lugar onde estava enterrado, onde foi queimado, o sangue. E eles estavam lá, vivendo como se nada tivesse acontecido”, disse o irmão.


Os dois suspeitos foram presos e a Polícia Civil investiga a motivação do crime.


Enquanto aguardam respostas da investigação, os familiares seguem mobilizados para conseguir a liberação dos restos mortais e realizar o velório. A ausência de uma unidade do IML em Redenção tem sido apontada como um dos fatores que prolongam o sofrimento.


Para a família de “Tiãozinho”, a espera por até 40 dias representa mais do que um procedimento burocrático — é a extensão de um luto que ainda não pôde ser encerrado.